Um tardio ano novo

A mais popular festa do Brasil, o Carnaval, chegou ao fim as 14h de ontem com o encerramento do último de três pontos facultativos reservados para a celebração. Mais uma vez, o país parou e a velha piada do “ano que enfim começa” voltou às ruas, já que muitas pessoas ainda deixam diversas resoluções para o fim da folia de momo.

Mas, o quanto atrasar a vida em 65 dias traz de ganho efetivo para as pessoas e para o país? Para uma pessoa que busca se recolocar profissionalmente são dois meses e cinco dias preciosos, uma vantagem que não pode ser descartada. Para uma indústria, são dois salários, encargos e impostos que precisam ser pagos em dia, materiais que precisam ser entregues, fornecedores que precisam ser pagos. Já o governo ignora essa questão, tanto que rentáveis (e inexplicáveis) tributos como o IPVA são cobrados logo no primeiro mês do ano.

Felizmente, este “atraso de vida” está entrando em extinção. Cada vez mais globalizado, o Brasil cada vez mais se dá conta de que não é possível esperar tanto para se iniciar “de fato” o ano, medida de suma importância para colocar o país na rota do crescimento. A vida, afinal de contas continua.

No futuro, a tendência é que o próprio Carnaval, os quatro dias (e meio) de folia deixem de existir da forma que é feita hoje e os lucros da festa, hoje restritos a parte da indústria do turismo e de alimentos sejam partilhados entre o restante da sociedade. A prova disso é que os próprios feriados prolongados que, há duas décadas, viravam intermináveis emendas já não são mais assim, com a maior parte das pessoas trabalhando no dia outrora “enforcado” e até mesmo no próprio dia “de folga”.

Em um mercado cada vez mais competitivo, se 24 horas fazem toda a diferença, imaginem então 65, 120 ou 430 dias? É muito tempo ocioso, perdido, que poderia ser usado para incrementar a produtividade e os lucros, enfim, o crescimento do país. Ora, se realmente estamos a caminho do primeiro mundo, devemos nos comportar como tal. E, trabalhar duro, como fizeram os asiáticos, é um excelente caminho.

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