Ribeirão Pires, quem é você?

A pergunta que intitula este texto pode até parecer impertinente, mas é um questionamento. Estamos falando de filosofia, de saber identificar os moradores da cidade, de olhar para o lugar e saber o que e quem está lá, independente do lugar onde está.

Complicado? Nem tanto. Hoje – e já há um bom tempo – Ribeirão Pires é uma cidade sem alma. Se nos anos 90, éramos uma cidade que era notória pelas praças, pelo clima de interior e pelo fato de boa parte da população se conhecer, característica essa reforçada pelo grande contingente de jovens e também pela menor quantidade de pessoas que aqui habitavam. Mesmo a vida noturna da cidade era agitada, com uma grande quantidade de bandas que tocavam nos bares e as inúmeras festas nas chácaras.

A partir dos anos 2000, com a consolidação do status de Estância Turística, a cidade mudou. Houve uma necessidade de se buscar o turismo, o dinheiro dos forasteiros como forma de movimentar a economia da cidade, deixando outros setores de lado. Como resultado, a consolidação de um processo que começou ainda na década anterior: a saída de empresas. Vimos nomes como Philips, Constanta e Brosol deixarem nosso cotidiano.

Desde então, ainda se busca uma identidade para a cidade, algo aventado ainda na elaboração da Agenda 21 municipal. Houve esta tentativa com o Festival do Chocolate e seu slogan “é uma delícia viver aqui”, mas a festa, que chegou a ser considerada uma das maiores do estado, naufragou neste objetivo.

Ribeirão Pires é uma cidade turística só no papel. A prova viva disso está nas ruas aos domingos que, literalmente, carecem de pessoas, vejam só. Muitos moradores simplesmente não se sentem representados e expressam este descontentamento das mais diversas formas, mais ou menos agressivas. Também há aquele grupo que simplesmente vê a cidade como um lugar para morar, não para viver. Isso sem falar no imenso contingente que simplesmente a deixou rumo a outras cidade e até mesmo outros países.

Por mais que estejamos avançando, ainda falta muito para que a Pérola da Serra possa acolher seus filhos. Há um descontentamento geral a respeito do que a cidade oferece a seus moradores, mesmo se comparadas a seus vizinhos de Grande ABC. Exatamente por isso, não é raro ver os ribeirãopirenses gastando seu dinheiro fora daqui. Ou seja: (não sem certa razão) gerando riqueza para outra freguesia.

Chegou a hora de repensar a cidade e a forma como a encaramos. É turística? É industrial? É um pouco de cada? Ou será apenas um grande condomínio onde os trabalhadores de São Paulo (e adjacências) desfrutam de suas merecidas horas de sono? E os imensos e horríveis muros sociais tão bem representados pelo malfadado “muro da vergonha” da Felipe Sabbag que deixam os 20% mais ricos da cidade com 50% da riqueza aqui gerada? Que tal derrubá-los?

Resolvendo tudo isso ainda resta uma grande – e ainda insolúvel – pergunta: e você, ribeirãopirense? Quem é?

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