Qual o custo do progresso?

Era uma vez uma pequena cidade muito bonita, em que foi construída uma estrada onde os carros passavam em linha reta, o menor caminho entre dois pontos. Essa estrada, de alta velocidade, era a aposta do Governo para, além de aumentar a segurança dos motoristas, também diminuir em alguns minutos os tempos de viagem.

O tempo passou e a cidade, outrora pujante, foi ficando esquecida (exceto por alguns poucos moradores) até sumir do mapa, já que para chegar até ela era necessário passar por uma estradinha sinuosa e tortuosa e também não havia saída da “super-estrada” para a agora cidadela. Bem que poderíamos, mas não estamos falando de Ribeirão Pires, mas sim de Radiator Springs, cidade fictícia onde se passa a história da animação “Carros”, uma das mais bem-sucedidas da história.

A lembrança vem por conta de uma situação parecida que estamos começando a viver aqui. A super-estrada, o Rodoanel, irá cortar a cidade em quase toda a sua extensão, mas não terá saídas. Isso posto, viveremos a incrível situação de arcarmos com todos os ônus, sem ter qualquer bônus.

Teremos uma estrutura “pendurada” sobre a cidade que irá retirar árvores, tem gerado barulho, uma estranha poeira decorrente das explosões (que não raro são realizadas mesmo a altas horas da noite), teremos barulho, poluição e ainda teremos que andar cerca entre 10 e 20 Km caso queiramos usufruir dos benefícios da obra e, dependendo do trajeto, o absurdo de sair de Ribeirão Pires para depois voltar. Estranho, não?

E tem mais: o legado da obra já está sendo sentido. No momento em que você, amigo leitor, estiver fazendo a leitura deste jornal, uma série de famílias da Vila Belmiro estarão sendo retiradas de suas casas por força de liminar, já que seus terrenos foram desapropriados a um valor irrisório se comparado ao que valem no mercado. Complicado, não? Certamente é. Mas será que temos mesmo que arcar com tudo isso sem ter qualquer benefício?

Ainda que as contrapartidas sejam a construção de parques, a pavimentação de algumas vias e mais algumas melhorias que ainda serão realizadas, será que o progresso vale tudo isso? A mesma pergunta se aplica à Praça 45°, a Velha Rodoviária, a Praça Central e outras que tem sido também vítimas desse “mal”. Será o avanço econômico não poderia ser conseguido de uma maneira mais harmônica, respeitando a natureza e, principalmente a nós, ribeirãopirenses? Claro que poderia. Bastaria um pouco de criatividade e, especialmente, bom senso. Pena que este último item ande meio em falta por estas bandas…

 

 

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