Parem de ignorar nossa história!

Ribeirão Pires é uma cidade turística, elogiada por seu ar, sua fauna e flora, mas o que poderia ser o principal pilar de nosso desenvolvimento econômico, que é a preservação da história, está sendo literalmente jogada na lata do lixo – e não é de hoje.

Em dois anos, nossa cidade irá comemorar 300 anos, entretanto, por desleixo ou supervalorização da questão política, a maior parte desta história, 241 anos para ser mais exato, é simplesmente descartada. Não que a emancipação política não seja importante, mas certamente tem valor mínimo, para não dizer quase nulo se comparada ao restante dos fatos que deveriam estar relatados nos livros.

Nossa cidade, então um vilarejo, em 1.714 contava com uma tribo indígena e margeava o Caminho de Peabiru, estrada que ligava o Oceano Atlântico ao Pacífico, com início em São Vicente e final em Cuzco, no Peru, com aproximadamente 5 mil quilômetros de extensão. História rica e viva que em Santa Catarina, a pequena cidade de Palhoça, usa como uma de suas principais atrações turísticas.

Ribeirão Pires hoje conta com um museu a céu aberto, com esculturas de arte moderna que representam trechos da história, um projeto amplo. Entretanto, por desconhecimento, há muitos que criticam ou não entendem o conteúdo das estátuas, como, por exemplo, o cavalo localizado na Ponte da Vila Ema, que remonta aos antigos tropeiros tão importantes para nossa história. Ou o toureiro, que remonta à imigração espanhola tão presente na cidade.

Além disso, há também o desrespeito aos paineis com a história da cidade, que tem sido depredados. O que conta a história do primeiro ponto de ônibus de Ribeirão Pires, por exemplo, é vítima constante de ataques da parte de vândalos. Mais do que o desrespeito ao trabalho dos museólogos da cidade que, ao lado de alguns poucos tentam manter viva essa história que começa com os índios, passa pelos imigrantes, oleiros, pela ferrovia, pela Mula Menina e chega até os dias atuais.

Uma história rica é a marca de um povo feliz. Por isso, precisamos orientar nossas crianças para que a respeitem e a transmitam as nossas gerações futuras. Ribeirão Pires tem a chance única de resgatar suas raízes em um ano que será especial para o Brasil, com a Copa do Mundo e seu evento mais importante, a abertura (em que virão chefes de estado de todo o planeta), a menos de 50 km de distância daqui. Ainda há tempo de mostrar que a cidade vai além da margem do rio. Ribeirão Pires pode ganhar o mundo e a chance está em nossas mãos.

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