Onde estamos errando com nossas crianças?

Recentemente, um colaborador do jornal Mais Notícias, após retornar das compras, flagrou uma cena que o fez pensar sobre a educação que nossas crianças têm recebido ultimamente.

Um carro parou no farol com uma mãe e duas crianças, entre 4 e 8 anos. Elas cantavam alegremente uma música, o que chamou a atenção. Entretanto, ao prestar atenção na letra viu que, embora o começo fosse, assim por dizer, romântico, o refrão, cantado em alto e bom som pelos menores falava da genitália masculina (em linguagem vulgar).

Ora, não queremos aqui atuar como defensores da moral e dos bons costumes, muito menos pautar os pais sobre o que devem ou não fazer na criação de seus filhos, mas é evidente que os pequenos devem ser preservados de determinados conteúdos. Ainda que seja a “melhor música de todos os tempos desta semana” e que “todos os amiguinhos estejam ouvindo”.

O que os pais devem ter em mente é o quanto a erotização precoce pode prejudicar o desenvolvimento, uma discussão antiga. Se lembrarmos dos anos 80, a “erotização excessiva” de Xuxa Meneghel em seu programa infantil já era alvo de discussão. Mas, justiça seja feita, pode parecer oriunda de um convento franciscano se comparada a certas canções que se vê por aí.

Se nos ativermos as músicas, o problema, também sejamos justos, não está no ritmo, mas sim nas letras. Há tempos, para se passar uma mensagem de uma relação sexual eram usadas as mais diversas figuras de linguagem. Hoje, talvez pela limitação intelectual imposta pela cada vez mais baixa qualidade de ensino, as situações relatadas nas letras são cada vez mais explícitas. Se havia a “Chuva de Prata que cai sem parar e quase mata de tanto esperar”, hoje há uma descrição rude do ato com direito a todo o vocabulário de palavras chulas imaginável.

Isso se reflete no comportamento adolescente. Isso se reflete, mais tarde, na intensificação do caráter patriarcal e misógino da nossa formação social. A construção de uma sociedade melhor passa pela formação de pessoas melhores. E, como bem sabemos, o exemplo é a forma mais eficaz de educar.

O que foi dito sobre música, vale também para outros conteúdos da nossa indústria cultural. Por isso, agora sim em forma de conselho, deixamos a mensagem para que não formemos “mini-adultos”. Afinal, crianças devem ser crianças e isso deve ser respeitado.

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