Homens morrem quatro vezes mais no trânsito do que as mulheres

O sexo feminino é marcado pela sensatez, paciência e atenção. Tanto é que os seguros de automóveis para as mulheres são mais baratos que para os homens; elas são mais cautelosas na hora de dirigir. E isso não é discurso feminista.

Um levantamento do Ministério da Saúde, com base nos dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), mostra que o número de homens que morrem no trânsito é quatro vezes maior do que o de mulheres. Só em 2009, 30.631 homens (81,4%) e 6.496 mulheres (18,4%) perderam a vida em vias.

Alta velocidade está entre os fatores mais comuns dos acidentes de trânsito

As principais vítimas fatais de acidentes são pessoas de 20 a 39 anos, faixa etária de 45,5% (17.128) do total de óbitos em 2009, sendo que 86% (14.776) eram homens. Dados da pesquisa Vigitel 2010, sobre indicadores de saúde do brasileiro, mostram que 3,0% dos homens entrevistados afirmaram ter dirigido após o consumo abusivo de bebida alcoólica, enquanto entre as mulheres esse percentual foi de 0,2%.

“O homem é mais vulnerável porque está mais exposto, tanto pelo comportamento, em muitas situações, mais agressivo ao dirigir, quanto pela associação com fatores de risco, como o excesso de velocidade e associação entre álcool e direção”, disse Marta Silva, coordenadora de Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes do Ministério da Saúde.

Aliado ao consumo de bebidas alcoólicas e à alta velocidade, soma-se o aumento da frota, especialmente de motocicletas, meio de transporte utilizado por 9.268 dos 37.594 mil brasileiros que perderam a vida no trânsito em 2009, o que equivale a 24,6% do total de óbitos naquele ano. O Brasil registra uma frota motorizada de 66.116.077 de veículos, dos quais 57% são automóveis. As motos, motonetas e ciclomotores representam 26% da frota nacional, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), de março de 2011. Entre pedestres houve redução de 7% comparando os anos de 2008 com 2009.

O levantamento aponta que 37.594 brasileiros foram vítimas fatais no trânsito do país em 2009, 679 mortes a menos que em 2008, quando foram registrados 38.273 óbitos.

Acidentes resultam em 146 mil internações no SUS

No Brasil, foram realizadas, em 2010, 146.060 internações de vítimas dos acidentes no trânsito financiadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com um custo de aproximadamente R$ 187 milhões. Os homens representaram 78,3% das vítimas (114.285), enquanto as mulheres, 21,7%. Do total de vítimas, 69.606 estavam em motocicletas e provocaram um impacto de R$ 85,6 milhões no SUS.

Brasil ocupa o 5º lugar no ranking de mortes no trânsito

No cenário mundial, o Brasil ocupa o quinto lugar entre os recordistas em mortes no trânsito, atrás da Índia, China, Estados Unidos e Rússia, segundo o Informe Mundial sobre a Situação de Segurança no Trânsito, publicado em 2009. A estimativa da OMS (Organização Mundial de Saúde) é que, em todo o mundo, cerca de 1,3 milhões de pessoas perdem suas vidas anualmente no trânsito e cerca de 50 milhões sobrevivem feridas. O custo global é estimado em US$ 518 bilhões por ano; os custos dos acidentes de trânsito já foram estimados em 1% a 2% dos PIB dos países.

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