História mal preservada

“[…] É triste ver […] também, muitas pessoas que aproveitam para vandalizar algo que já foi de tamanho uso e importância para semelhantes no passado. Não é somente triste, é vergonhoso e revoltante […]”

No mundo todo, existe verdadeiro esforço para se preservar grandes monumentos, obras, documentos, objetos e tudo o mais que faça parte da história do ser humano na Terra. A Torre Eiffel, o Coliseu de Roma, o Taj Mahal, entre outros, são parte das monumentais edificações que recebem manutenção ao redor do globo, mesmo com as tentativas do chamado Estado Islâmico em destruir cidades históricas, por exemplo. No Brasil, a situação não é diferente. São várias as pessoas, órgãos e instituições que lutam para manter por gerações e gerações o que nossos antepassados fizeram. Em Ribeirão Pires, uma obra particularmente conhecida é o Mirante São José, homenagem ao santo de nome homônimo padroeiro de Ribeirão.

Mas, mesmo com os esforços que chegam a ser descomunais para preservar essa rica história, há quem, aparentemente, não se importe com ela. Na Rua Capitão José Gallo, por exemplo, existem diversas casas que são históricas. Uma parte delas – que tinham mais de 50 anos – foram demolidas em prol de outras edificações que foram consideradas prioridades. Mas ex-moradores destas casas, de fato, ficaram muito sentidos com a “perda” de suas antigas moradias, mesmo não morando lá há bastante tempo.

Outro exemplo: Ao menos desde 2004 existem tratativas para se preservar e restaurar a antiga Fábrica de Sal, localizada no Centro Alto. Naquela época, chegaram até a organizar excursão com escolas para visitar o espaço renovado. Mas, pouco tempo depois, ela caiu no esquecimento e já foi depredada, pichada e até alvo de usuários de drogas e de jovens com os hormônios em polvorosa. Depois, parte dela foi transformada em biblioteca, escola e rede de acesso à internet para munícipes, exceto a edificação principal e sua chaminé, que continuam largadas. Mas, ao que parece, enfim, o imbróglio vai chegar ao fim. Em breve, deveremos ter novidades sobre este verdadeiro ponto turístico de nossa querida cidade.

Um lugar que também tem sido motivo constante de disputas é a antiga casa da família Richers, que ficou famosa graças a Herbert, que colocou seu nome em seu tradicional produtora e distribuidora de filmes e estúdio de dublagem. Por anos, ela dominava a vista de quem passava pela Rua João Domingues de Oliveira. Porém, com a construção de loja – que adquiriu o terreno todo – logo à sua frente, a casa também caiu no esquecimento. Já foi anunciada como Patrimônio Cultural e até “prometida” de ser tombada como patrimônio histórico, mas ela, tadinha, ainda espera por esta honraria. Também foi, ao mesmo tempo, “jurada” de demolição, o que gerou muitos protestos na cidade.

Atualmente, a antiga morada dos Richers está de pé, mas pichada e depredada. Sendo assim, é triste ver que não são somente pessoas jurídicas que, por vezes, não buscam cuidar do patrimônio cultural que temos, mas, também, muitas pessoas que aproveitam para vandalizar algo que já foi de tamanho uso e importância para semelhantes no passado. Não é somente triste, é vergonhoso e revoltante, estas e outras construções – citamos também a querida Igreja do Pilar – são engrenagens que, juntas, ajudaram a formar o município que hoje conhecemos por Ribeirão Pires. E são esses mesmos monumentos que dão cara a um lugar. Portanto, é de se imaginar que ninguém quer sua cidade taxada de pobre de preservação e manutenção de sua história. Portanto, antes de agredi-la, vamos pensar duas vezes e de forma mais racional para que, no futuro, sejamos lembrados como pessoas que entraram na história por contribuir com a história.

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