Herança bendita ou maldita?

Um tema que ainda não foi discutido, mas que ganhará corpo nas próximas semanas é qual será a herança de Clóvis Volpi para Saulo Benevides, o novo prefeito de Ribeirão Pires. Esse tema, aliás, já foi alvo de acaloradas discussões que acabaram por acirrar a rivalidade quase futebolística entre PSDB e PT há alguns anos.

Para quem não se lembra, a expressão apareceu pela primeira vez quando da transição entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, que “herdou” um país que criara apenas 700 mil vagas de emprego em oito anos, com dólar beirando os R$ 4 e inflação na casa de 12% ao ano, fruto de algumas medidas equivocadas entre 1998 e 2002, quando no segundo mandato do tucano e também de um processo de privatização mal gerenciado, já que o montante aferido com a venda das empresas estatais, como a Vale do Rio Doce, foi muito inferior ao que poderia ter sido conseguido devido à uma espécie de “tara” pela venda a qualquer custo ao invés de aguardar um momento melhor com o fim da crise mundial gerada pela quebradeira dos “Tigres Asiáticos”.

Recentemente, o próprio FHC “saboreou a vingança” ao usar o mesmo tema em referência ao seu sucessor que teria legado herança ainda pior para Dilma Rousseff que, por sua vez, não tardou em defender seu pupilo com o termo inverso, o de “herança bendita”. Essa salada linguística, a bem da verdade, remete mais uma briga de egos do que um fato concreto, já que os governos tiveram seus méritos e deméritos em momentos distintos da economia mundial.

Voltando ao cenário local, vemos que Saulo Benevides terá uma série de problemas para administrar logo nos primeiros meses de governo. Começando pelos menos graves, há a questão da rodoviária velha, que ainda não se sabe se será transformada em um Habib’s, em praça, shopping ou mercadão e já há quem diga que, dados os vários problemas existentes na nova sede do terminal, pode até ser reativada com seu uso antigo. Há também a questão do trânsito que parece sem solução e da falta de áreas para lazer, uma reclamação de muitas pessoas em diversos bairros. No lado mais grave, há a questão da Saúde, que entrou em um buraco sem fundo, com direito a ações judiciais para receber atendimento, ou seja, o mínimo e básico e também a crise financeira, que teve mais um capítulo detalhado nesta edição, com atrasos até mesmo na iluminação pública, cujos pagamentos (deveriam) ser bancados pela malfadada Contribuição para Iluminação Pública, a CIP, que custa ao menos R$ 7,30 mensais para cada munícipe.

Há, obviamente, as partes positivas, como a evolução orçamentária, o Festival do Chocolate e também algumas opções turísticas existentes na cidade devem ser ressaltadas, mas, como mantê-las em meio a tantos problemas? Isso posto fica a pergunta: herança bendita ou maldita? Só o tempo responderá…

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