Há muita água por rolar sob a ponte

No último domingo, foi veiculada mais uma rodada de pesquisas patrocinada pelo Diário do Grande ABC que, desta vez, colocou Saulo Benevides (PMDB) na liderança do Pleito em Ribeirão Pires, com cerca de 14% de frente ante aos principais rivais, Maria Inês e Dedé da Folha, que aparecem logo a seguir.

Em que se pese uma eventual ânsia popular por renovação, são números que não se mostram exatamente confiáveis. A explicação, dada por alguns especialistas ouvidos extra-oficialmente pelo jornal é que, a 40 dias do pleito ainda não seria possível, em um cenário como o nosso, um candidato ter tamanha margem e, mais ainda, que a mesma seria uma certeza segura de vitória, já que no cenário espontâneo, que seria o mais próximo da realidade já que o eleitor tem que chegar às urnas com a certeza do número que irá digitar, temos ainda 38% de indecisos, um grupo que, dependendo da preferência, pode decidir a questão de uma forma longe do estimado no quadro de momento.

Fora isso, ainda há a questão do instituto que fez o levantamento. Se na primeira pesquisa assinava apenas uma estatística vinculada ao Data Popular, desta vez temos a presença do DGABC Pesquisas, um instituto criado pela própria publicação (e a mesma moça assinando). A mudança não se refletiu na ausência de reclamações por parte de postulantes majoritários como Alex Manente (PPS), postulante à Prefeitura de São Bernardo que se manifestou insatisfeito publicamente com os dados apresentados. Ele, aliás, foi alvo de algo inusitado: o fato de ter mais votos na pesquisa espontânea do que na estimulada, algo que, para dizer o mínimo, rende uma “pulga atrás da orelha”, ainda mais pelo fato de ele não ter sido o único “agraciado” com dados desta maneira – o mesmo se aplicou ao candidato de Santo André Raymundo Salles (DEM), que, a despeito do grande aumento nos votos espontâneos, teve enorme queda nos estimulados.

A soma dos fatos, aliada ao fato de o instituto ainda “cheirar a leite” no ramo das opiniões públicas, mostra que o quadro político, como já citado, ainda está longe de ser dado como líquido e certo. Pelo contrário, há longos 38 dias até a derradeira data, e tamanha distância, ainda mais em uma região em que até pela quase ausência de emissoras e programas eleitorais de rádio e televisão locais, o eleitorado se mostra mais suscetível a mudanças, como muitas vezes se viu até mesmo aqui em Ribeirão Pires. A única certeza é de que ainda há muita água para rolar sob a ponte antes das favas serem dadas como contadas.

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