Crise na segurança requer atitude imediata

No último final de semana, duas notícias chamaram a atenção. A primeira delas foi a respeito das ações do PCC, o Primeiro Comando da Capital, uma das maiores (se não a maior) organização criminosa do Brasil, que teve uma série de gravações interceptadas durante investigação promovida por três anos e meio pelo Ministério Público revelando, entre outras coisas, que há um plano para assassinar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Mais do que este plano, o MP também dissecou a forma de funcionamento da facção, que domina 90% dos presídios de São Paulo e também está presente em 22 estados, além da Bolívia e do Paraguai. De acordo com o órgão, o PCC tem faturamento de aproximadamente R$ 120 milhões por ano, em atividades que vão desde tráfico de drogas até doações feitas por simpatizantes. O mais impressionante é que o comando da organização é feito majoritariamente por presidiários que o fazem usando celulares que, ao menos em tese, são proibidos (e têm inclusive seus sinais bloqueados) dentro das penitenciárias, em uma mostra de que algo de muito errado permite que isso aconteça.

A segunda foi a corajosa atitude de um policial militar que, mesmo em seu horário de folga, impediu um assalto que estava acontecendo na Zona Leste de São Paulo. Um vigilante trafegava com uma moto modelo Hornet, avaliada em R$ 35 mil, quando foi abordado por dois criminosos que estavam em outra motocicleta. No momento em que um deles se preparava para levar o veículo, ele agiu rapidamente, baleando o meliante e impedindo o sucesso da ação que foi filmada, compartilhada na Internet e ganhou repercussão mundial.

Estes são dois exemplos que mostram a situação crítica da Segurança no Estado de São Paulo, provando que a sociedade têm razão na velha cobrança por melhorias e investimentos no setor. Se chegamos ao ponto em que milhões de pessoas celebram o fato de um policial ter feito (muito bem, por sinal) o seu trabalho, isso mostra que há uma sensação geral de insegurança que demanda uma discussão urgente sobre o que é necessário para que os cidadãos que pagam seus impostos possam andar nas ruas com tranquilidade.

A situação anda tão crítica que, em reportagem recente, o New York Times destacou casos de paulistanos que estão dando festas na cidade de Nova Iorque destacando que o principal motivo é justamente porque lá “todos podem andar à vontade, inclusive com joias que não são assaltados”. Ora, se você não encontra segurança em seu próprio lar, onde irá encontrar?

E, para os que pensam que isto está muito longe da nossa realidade, no último domingo, o restaurante localizado em um conhecido frigorífico da cidade foi alvo de um assalto, com direito a clientes rendidos e a mercê de dois indivíduos armados. Felizmente, o que poderia se transformar em uma tragédia ficou restrito à perda de carteiras e celulares. Mas, e se acontecesse o pior? E se os planos do PCC de aterrorizar a Copa do Mundo se realizarem? Como se recuperar de tamanho vexame? Como oferecer segurança digna aos nossos cidadãos? Com a palavra, as autoridades.

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