Chávez, um líder leal e revolucionário que marcou nome na história

 

Todo o mundo parou na última semana com a morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vítima de câncer pélvico. Redes sociais, jornais e revistas têm dedicado linhas e mais linhas ao fato, já considerado um marco histórico moderno especialmente pela influência que nosso país vizinho exerce sobre as esquerdas do mundo e também o preço do petróleo.

Ainda que para parte do planeta ele seja considerado apenas mais um ditador, é inegável que seu regime foi marcado pela coragem de, em 14 anos, marcar revoluções sociais únicas e achar uma espécie de fórmula mágica que foi adotada em boa parte da parte mais pobre latino-americana.

Inclusão Social com crescimento. Chávez mostrou que isso era possível e, derrubando o pragmatismo que habitualmente permeia a cabeça de nossos governantes, se colocou como o mártir do período de transição de nosso continente que sempre lutou contra a própria juventude e também contra a chamada “síndrome do cão de rua”, que fazia (e ainda faz) com que nos subjuguemos perante os europeus e norte-americanos.

A América do Sul em especial é muito grata a atitude do ex-coronel golpista em virar as costas para os Estados Unidos e se voltar para o subcontinente que ganhou, desta maneira, um vizinho participativo e ávido por receber investidores externos. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que o diga. No seu governo, foram abertas as portas do vizinho às empresas de nosso país. A Venezuela tinha dinheiro de sobra advindo do “ouro negro”, mas não tinha planta industrial. O caminho, então foi se aliar ao Brasil que, sob a batuta tucana, lá instalou suas grandes companhias, como Petrobras, Embraer, BNDES e também as eternas “parceiras” Camargo Corrêa e Odebrecht.

Tentação irresistível, milhares de dólares (ou “petrodólares”) desembarcaram em terras tupiniquins, gerando emprego e renda por aqui e riqueza para vários empresários. Esta aliança, além de horas de conversas e uma amizade, fez com que o governo FHC melhorasse sobremaneira seu desempenho, em especial no que se toca à geração de emprego e renda. Mais do que isso, virou plataforma política, já que essa aproximação serviria de ponto de partida ideal para a candidatura de José Serra à presidência, em 2002.

Pena que Chávez era um homem firme aos seus princípios ideológicos. Ele ignorou a recém construída “amizade eterna” em prol do apoio ao opositor, Lula, com quem tinha mais proximidade política. Resultado: de uma hora para outra, ele passou, aos olhos do governo (e dos tucanos em geral), de estadista a “cruel ditador”, mas isso ficou em segundo plano, já que sob a batuta petista, o Brasil se aproximou ainda mais de Chávez, com projetos em conjunto.

De toda maneira, o estilo Lula, de aproximação com as grandes potências mundiais, se sobressaiu e, à exceção de Bolívia e Equador, a região hoje é mais alinhada ao Brasil do que a Venezuela que, sob nova direção, tende a abandonar o “Chavismo” e se aliar ao “Lulismo”, tão populista como, mas aparentemente melhor planejado e menos dependente de uma única figura.

Agora, o desafio é ver como os nossos vizinhos irão se comportar sem a presença física de seu grande líder, respeitado e amado como uma espécie de amigo leal, que não os traiu em nenhum momento, e também como seu importante legado, cuja importância histórica avaliada em algumas décadas, será administrado. O enigma será decifrado em breve, com ou sem maiúsculas soltas em início de frase, já que mesmo morto, Chávez ainda será assunto por muito tempo – e de forma merecida.

 

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