A exceção que confirma a regra

Ontem, o Brasil recebeu a notícia de que o senador Demóstenes Torres (DEM) foi cassado por conta de seu envolvimento mais do que suspeito com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, que lhe teria pago mais de R$ 3 milhões de reais em troca do uso de sua influência em prol de ajuda no Congresso, no Judiciário e no Executivo.

Este fato, aliado a mentira que contou ao afirmar que desconhecia as atividades ilícitas do bicheiro fez com que Demóstenes, até então um político de imagem ilibada, tendo participado até mesmo da CPI do Mensalão e também sendo considerado uma das mil personalidades para pensar o Século 21, tivesse sua situação e imagem comprometidas de maneira irreversível, deixando a capa da honestidade para assumir a pecha de pivô de um dos mais vergonhosos episódios da política verde-amarela, além de carregar a eterna mancha de ser o segundo senador cassado na história do Brasil.

Este breve resumo do caso mostra o quanto as relações dos representantes do povo estão corrompidas e o quanto eles precisam trabalhar para recuperar suas imagens, cada mais manchadas perante o eleitor. Pesquisa realizada pelo Supremo Tribunal Eleitoral mostra que a opinião geral é que o Congresso Nacional e os partidos, respectivamente, são considerados as instituições menos confiáveis do Brasil.

Isso posto, a cassação de Demóstenes Torres (ex-DEM) está longe de ser um fato a celebrar. Há muito o que se fazer para moralizar a política brasileira que envolve fatores bem mais amplos do que a mera exclusão de um agente público que não age de acordo com as normas de conduta e retidão de caráter. Envolve uma mudança de conceitos, de bom trato com o bem público e, porque não, de pessoas. Não estamos dizendo que o fato não foi bom, pelo contrário, mas é preciso reconhecer que, infelizmente, é apenas a exceção que confirma uma triste regra.

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