A desvalorização do Real na economia do dia a dia

O assunto mais discutido da última semana em âmbito nacional foi a valorização do dólar. A moeda norte-americana teve forte alta nos últimos dias atingindo ontem a maior cotação registrada desde 2008, quando a crise internacional estava no auge: R$ 2,451, alta de quase seis centavos em relação a cotação da última terça-feira.

A “culpa” em primeira escala, segundo os analistas, é do Federal Reserve, o Fed, Banco Central dos Estados Unidos que, analisando os sinais de recuperação da maior economia do planeta, pode indicar ao governo Obama o fim do estímulo que injeta US$ 85 bilhões mensais na economia na forma da compra de ativos no mercado e aumento da taxa anual de juros, o que deixaria o país como “porto seguro” para os investidos que assim poderiam abandonar locais de maior risco, como o Brasil.

Com menos moeda no mercado, a cotação aumenta para alegria dos exportadores e tristeza dos consumidores que veem nossos produtos, que são dolarizados, cada vez mais caros. Outros que lamentam também são os empresários que, aproveitando a valorização recente do Real se endividaram em dólar e agora veem seus contratos cada dia mais caros.

Na economia do dia-a-dia, os efeitos já chegaram ao bolso do consumidor, já que a grande maioria dos produtos vendidos no país utiliza insumos importados, desde simples botões até partes inteiras de carros. Isso para não falar dos produtos montados no país no chamado regime CKD, que apenas faz a montagem de artigos estrangeiros. Mesmo no transporte, já temos problemas: as companhias aéreas, que desde o início deste processo já tomaram medidas para reduzir seus custos, como o corte de pessoal, agora lutam por incentivos do Governo Federal para não aumentar as passagens e ver o movimento ainda pequeno de passageiros que estão trocando o avião pelos ônibus fique insustentável.

Este fato puxa a segunda escala, considerada mais preocupante pelos especialistas: a acomodação do Governo Federal no tempo de “vagas gordas” ou ainda quando a “marolinha” de 2009 passou sem que fosse feito um planejamento de longo prazo. Isso, aliado ao aumento do déficit e o mau retrospecto da dívida pública que vinha numa decrescente e agora está estável com tendência de alta, deixam a perspectiva sombria para o futuro próximo. A solução imediata já é conhecida, como o aumento da Selic e a consequente elevação dos já extorsivos juros cobrados pelos bancos ao consumidor final, resultando em retração da oferta de crédito e desaceleração da economia, já que hoje o consumidor depende muito do dinheiro emprestado para adquirir bens e serviços. Essa roda viva vai resultar na queda da produção, desemprego e, por fim, recessão.

Como se vê, mais dolarizada do que nunca, a economia brasileira está totalmente dependente do que acontece fora do país. Isso, para o consumidor final, é uma verdadeira lástima, já que os salários – como de hábito – não acompanham a “valorização” dos produtos e serviços. Ou seja: no final, a conta irá ficar toda para a população, o elo mais fraco da corrente.

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