A arrecadação fatal

Imposto. Essa palavra assusta a população, ninguém quer pagar imposto, pois acha que o destino dele nunca volta plenamente para a população. Nesta terça-feira, precisamente às 11h26 da manhã o Impostômetro alcançou a extraordinária marca de R$ 1 trilhão arrecadados nos nove meses de 2011. No ano passado essa marca só foi atingida em 25 de novembro, ou seja, uma diferença de 42 dias.

Com esse dinheiro seria possível comprar mais de dois milhões de unidades da nova Ferrari 458 Spider, lançada nessa semana no Salão do Automóvel de Frankfurt, Alemanha. Poderia ainda construir 29 milhões de casas populares. Cada brasileiro pagou em média R$ 1.700,00 para o governo. Mas o que revolta a população é que por mais que se pague em imposto, aumentando a arrecadação, o retorno para o povo não é tão evidente.

Muitos reclamam de serviços hospitalares precários, previdência falida, ensino decaído, segurança nula, ou seja, tudo o que é público não funciona direito. Enquanto isso, batemos recorde em arrecadação.

Como ficar satisfeito?

É louvável a atitude da ACIARP em promover um protesto contra a alta tributação. No entanto, a movimentação não serviu para muita coisa, sendo apenas um sussurro no meio da gritaria do dia a dia. Mas valeu a intenção.

Aos poucos, unindo os sussurros aqui e ali, poderemos chegar em um momento de levar a voz da população adiante, exigindo com que as melhorias de que tanto necessitamos sejam atendidas na mesma velocidade com que pagamos nossos impostos. Enquanto esse dia não chega, o jeito é se contentar com o pagamento de impostos e a doação voluntária de cerca de R$ 50% dos rendimentos ao poder público porque se com a arrecadação as coisas não andam tão bem, imagine se decidíssemos não pagar mais nada?

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