Rápido, barato, perigoso e criminoso

Por Gazeta

É alarmante o número de motociclistas vítimas de acidentes fatais. Só na cidade de São Paulo tivemos 300 vítimas num ano, quase uma vida perdida por dia, isso sem contar aqueles que guardam sequelas tão drásticas que passam o resto de suas vidas em uma cama, em uma cadeira de rodas ou impossibilitados de trabalhar.

O custo desse flagelo para a Previdência e para as famílias é absurdo. Não vamos aqui quantificar o valor da vida de um filho ou um pai de família, que ficam a mercê de uma pensão para sobreviver.

Está se cogitando impor novas regras de segurança na cidade de São Paulo no intuito de reduzir o número de acidentes, como a proibição da circulação das motos em determinados corredores e a redução compulsória dos limites de velocidade. Essas medidas, no entanto, vêm esbarrando na resistência de empresas de entrega, de alguns usuários dos serviços que acham que perderiam em agilidade, além dos próprios motoqueiros, temerosos de terem seus ganhos reduzidos.

No status atual, quem ganha são os empresários, que se utilizam dessa mão-de-obra e os clientes, que pagam pouco por um serviço de alto risco. Os motofretistas avulsos têm que se esfalfar sob risco constante por 10, 12, 15 horas por dia para obter ganho razoável.

No entanto, se forem implementadas medidas que reduzam a eficiência e e rapidez e aumentem os custos, teremos que nos adaptar.

Motociclista menos pressionado significa menos risco, além do que possivelmente aumentará a oferta de serviço para quem desejar se iniciar na atividade. Com o tempo tudo se acomoda.

O que não podemos é permitir a continuidade dessa carnificina que vem ceifando a vida dos nossos jovens, que morrem para ganhar uns minutos ou para nos entregar a pizza ainda quente.

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