Paternidade na adolescência

Quando se fala de gravidez na adolescência, o primeiro pensamento é para a garota. É com ela que a sociedade se preocupa, é para ela que vai todo o alerta. Essa atenção se deve a motivos relativamente óbvios: além da gravidez se dá no corpo da mãe, normalmente é sobre ela que recaem os cuidados e a responsabilidade com o bebê após o nascimento.

Um filho, porém,  é feito a dois. E quando o bebê vem na adolescência, antes da hora planejada pelo casal, os garotos também passam abruptamente das baladas e videogames para o mundo adulto, ou seja, o mundo  da responsabilidade de criar um filho. No entanto pouco ou nada se fala sobre o pai adolescente. Quem é? O que pensa? Qual é a sua relação real com a mãe de seu filho? Qual é a relação com seu filho? Como se posiciona perante o futuro? Há um silêncio na sociedade sobre a paternidade na adolescência; e isso parece dar uma falsa impressão aos jovens de que a paternidade na adolescência não existe.

“Deu positivo! Você será pai!”. Esta é, possivelmente, a frase mais temida pelos garotos quando se envolvem sexualmente com uma menina, por mais que apostem no risco, em vez da prevenção. Muitos garotos, inseguros e medrosos, tornam-se indiferentes diante das  namoradas grávidas e de seu filho.

A paternidade na adolescência é algo que pode e deve ser evitado por causa das consequências negativas que traz à vida do garoto envolvido, sua família e todo o seu ciclo social e educacional. A adolescência não é o melhor momento para se ter um filho, principalmente, para quem acredita nos próprios  sonhos e nas expectativas que criou para si.

É preciso conscientizar os jovens que por mais trabalhosa que possa parecer, a prevenção ainda é a melhor atitude a se adotar. E esta, pode e deve estar nas mãos dos meninos. Se ele não pode apostar no risco, não deve creditar na garota toda a responsabilidade sobre o seu futuro. Assim,  só há uma maneira:  USAR CAMISINHA em todas as relações sexuais, mesmo que o namoro seja antigo e sua namorada tome pílula ou use outro método contraceptivo.

É muito importante que os adultos de sua confiança encarem a realidade atual da sexualidade na adolescência e promovam o diálogo como alguém que sabe ouvi-lo de verdade e respeite seus valores e atitudes.

No entanto, se um jovem se torna pai adolescente, é importante que não faça deste fato uma tragédia e nem a desculpa para todas as dificuldades que tiver que enfrentar pela frente. Nenhum fato tem apenas o lado ruim! Ele pode identificar os aspectos positivos dessa transição e procurar tirar proveito dessa experiência maravilhosa que é ser pai.

Maria Helena Vilela é educadora sexual e diretora o Instituto Kaplan

www.kaplan.org.br

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