Ficha Limpa e o voto consciente

Após meses de árdua novela, enfim a Lei do Ficha Limpa entrará para valer nas próximas eleições municipais, as quais os eleitores escolherão o futuro prefeito e vereadores de suas respectivas cidades. Essa foi a decisão do Supremo Tribunal Federal, que declarou a nova legislação como constitucional. Em um cenário de descrédito quanto às corriqueiras denúncias de corrupção, não restam dúvida da importância da aplicação desse importante projeto, com a finalidade de colaborar para ética na política brasileira e servirá de filtro para pessoas com passado sujo. Contudo, somente essa ação não fará milagres e o povo brasileiro precisa também fazer  a sua parte para moralizar as nossas administrações públicas.

Penso assim, porque não será a Ficha Limpa o responsável por um voto consciente, aquele que nasce através de propostas concretas e viáveis para o município. Da mesma maneira que corruptos podem ser barrados a partir da nova legislação brasileira, outros podem surgir nos pleitos futuros, se o eleitor não fizer a sua parte em fiscalizar, pesquisar o plano de governo e passado do mesmo.

Então não podemos cair na zona de conforto pelo pensamento que agora tudo estará resolvido. Na verdade, o trabalho da moralização de nosso cenário político ainda está ganhando musculatura. Temos uma nova lei, uma imprensa livre e órgãos fiscalizadores (como Ministério Público, Polícia Federal e outros). Mas o papel do povo brasileiro segue como o mais essencial nesse processo.

Apesar disso, a aprovação do projeto Ficha Limpa é histórico por se tratar de um anseio do povo brasileiro, finalmente atendido. Lamento a propositura não valer desde as eleições de 2010, pois evitaria, hoje, mais pessoas de passado sujo em cargos públicos. Embora tardia, a iniciativa é louvável, pois é oriundo da pressão popular, reflexo da indignação da sociedade perante a tanto desmando e práticas lastimáveis.

Portanto, a Ficha Limpa significa um avanço no amadurecimento da democracia no Brasil, das instituições brasileiras e da ética na política. Afinal, é inaceitável que pessoas com vida política reprovável se candidatem a representar o povo brasileiro, carente de tantos serviços essenciais, como educação, saúde, saneamento básico, transporte e segurança, entre tantos outros. Contudo, a batalha ainda não acabou e o eleitor precisa praticar o voto consciente.

Dr. José Ricardo

oftalmologista e vereador

de Santo André pelo PSB

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