A VIDA COMO ELA É

Com a permissão de Nelson Rodrigues, faço da sua expressão roteiro desses comentários. Tenho lido – não sei se tão atentamente quanto a matéria exige – rotineiramente sobre a situação econômica da Europa, mais especificamente o posicionamento da Grécia no contexto do denominado Grupo do Euro. Ouço comentaristas de renome das rádios brasileiras; leio colunistas não menos renomados; reflito sobre tudo quanto ouço e leio. Aí, inevitavelmente, me vem à mente a própria protagonista, a Grécia. Contudo, me permiti imaginas aquela Grécia dos séculos que antecederam a era Cristã. Astronomia, filosofia, matemática, geografia, arquitetura, medicina, e tantas outras ciências que os gregos, com extrema proficiência, deixaram-nos como um dos legados mais valiosos que se poderia imaginar.

E agora, alvo de interferências (se bem que dentro dos padrões pré-estabelecidos pela Comunidade Europeia) proporcionando á população grega a renuncia – ainda que tácita – de princípios e fundamentos que suplantam milênios, em nome de uma estabilidade econômica duvidosa e a um preço altíssimo a ser pago pela sociedade grega. Mas, ao que parece, “tudo em nome da estabilidade da comunidade do Euro”.

Platão (imagino eu) deve prestar atentamente atenção aos debates, aos “avisos” germânicos, aos alertas franceses, às dúvidas suscitadas pela América do Norte, e põe-se a pensar sobre tudo isso. Lógica, que foi um de seus temas prediletos, está longe de ser alcançada. Silogismos e outras figuras da mais pura filosofia dificilmente se poderiam atingir. E o que mais intriga, uma tentativa de adequar aquela República às que hoje estão se debatendo, é tão utópico quanto ver a humanidade se enquadrar aos princípios mais comezinhos da ética, moral, bons costumes.

Não sei se tudo isso é preocupante, ou, definitivamente utópico. De toda forma, concito os leitores à reflexão, ainda que à distância que nos separa da “tragédia grega”.

Francisco J. Zampol

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