Saulo Benevides: “eles não estão fazendo oposição a mim, mas sim à cidade”

Nesta semana, o prefeito Saulo Benevides recebeu a reportagem do Mais Notícias para falar de diversos assuntos, entre eles os ataques que sua gestão vem sofrendo por meio de uma onda de boatos que, em sua maioria, se iniciaram na Internet e estão ganhando as ruas. Além dos desmentidos, também falou sobre o andamento dos projetos da Prefeitura.

Saulo Benevides, prefeito de Ribeirão Pires

Mais Notícias – A sua gestão tem sido alvo de vários boatos. Ao que o senhor atribui isso?

Saulo Benevides – Infelizmente, essa é a verdade, hoje temos uma oposição irresponsável. Sempre defendi a democracia, sempre respeitei a oposição. Quando era vereador, muitas vezes disse que uma oposição feita de forma responsável ajuda qualquer governo a corrigir os erros. A oposição irresponsável não prejudica o Saulo, prejudica a cidade. Infelizmente, é o que temos e pior ainda, é uma oposição que já teve oportunidade de governar a cidade, como é o caso do Dedé da Folha. Em oito meses de governo não dá para fazer nenhuma avaliação de nenhum governo, até porque estamos consertando e corrigindo o que eles fizeram de errado no passado. Qualquer avaliação feita hoje é uma avaliação do passado.

MN – Quais foram as grandes dificuldades?

SB – Assumimos com R$ 42 milhões em dívidas e um orçamento mentiroso, irreal, feito pelo Clóvis (Volpi, ex-prefeito) em 2012 que não vai atingir os R$ 240 milhões. Se atingir R$ 200 milhões, erguerei as mãos para os céus, já que a arrecadação tem caído. Mesmo com todos esses problemas, posso dizer que foram oito meses positivos para a cidade. Fizemos a lição de casa, estamos regularizando a convocação irregular feita pelo Clóvis, pagamos boa parte da dívida, estamos renegociando e recuperando o equilíbrio financeiro da cidade. Vale lembrar que além da dívida, assumimos uma cidade abandonada, sem médicos, sem enfermeiros, cheia de buracos. Aos poucos estamos consertando tudo, a Saúde melhorou, trouxemos a Fundação do ABC, não faltam médicos na UPA. Tanto é verdade que atendemos a cidades vizinhas e nossa demanda aumentou.

MN – Qual a origem destes boatos?

SB – Entendo que é essa oposição que vem espalhando esses boatos. A grande verdade é que em cidade pequena que não tem televisão, o que funciona é a “rádio peão”. Com essa boataria, eles não estão fazendo oposição ao Saulo, mas sim à cidade. Eles não querem o bem de Ribeirão Pires, não querem que o governo dê certo, essa é a grande verdade. A população pode ficar tranquila. Estamos buscando o equilíbrio financeiro e colocar a casa bagunçada que pegamos em ordem. Alguns veículos têm distorcido informações da Prefeitura e criado tumulto.

MN – E em relação as verbas do PAC via Consórcio ABC? O que aconteceu?

SB – Na questão do Consórcio, meus adversários falaram que foi falta de projeto, mas o critério desta etapa não foi esse, tanto que recebemos R$ 41 milhões e não apresentamos projeto nesse valor. Contemplaram projetos de 2011 e 2012, até mesmo o (presidente do Consórcio Luiz) Marinho disse isso. Então eles anteciparam, tendo em vista que estamos praticamente no último ano do Governo Dilma. As outras cidades serão contempladas na próxima etapa. Não houve prejuízo. Você pega o caso de Santo André, que tinha projetos do ex-prefeito que eles entenderam ser prioridade e deveriam ser contemplados. No nosso caso, não questiono o porquê de termos ido à próxima etapa, como São Caetano, mas merecíamos mais, pois apresentamos nossas demandas, a ligação entre Centro Alto e Centro Baixo, a Avenida Brasil e a Mini-Rodoviária no Centro Alto. Conversamos com o Marinho e eles estão bastante empenhados, até porque (o PAC2) não encerrou. Há outras etapas e estamos trabalhando que mais um projeto das nossas demandas seja contemplado.

MN – A falta de transição entre as gestões prejudicou?

SB – A falta de transição prejudica e atrasa o trabalho, sem sombra de dúvidas. Ficamos um bom tempo levantando documentação e perdendo tempo, mas superamos isso.

MN – Dentro da indústria de boatos, foi citada uma rusga com Luiz Marinho. Isso aconteceu?

SB – Não fiquei satisfeito, sem sombra de dúvidas, porque quero mais para o meu município. Na hora em que foram apresentados os recursos destinados aos municípios disse ao (Luiz) Marinho, o presidente do Consórcio ABC, que Ribeirão Pires tem demandas e prioridades que foram apresentadas e que achei que não foram contempladas como se deveria. Essa história da briga é mentira. Prova disso é que o próprio Marinho está pilotando nossa conversa com os ministérios para contemplar mais projetos para a cidade. Em breve vamos apresentar a população os resultados de nosso trabalho ao longo desses oito meses em relação a verbas conquistadas. Se compararmos com o restante do Brasil, poucos municípios estão nessa condição, com verbas de deputados estaduais, federais e recursos do PAC que nada tem a ver com o consórcio. Vamos fazer de Ribeirão Pires um canteiro de obras. O Rodoanel está trazendo problemas, com vias esburacadas, veículos pesados e poeira para todo lado mas a obra acaba em março e, quando isso acontecer, a cidade terá uma nova cara. Estamos batalhando por uma alça do Rodoanel, pois entendemos que isso vai desenvolver a cidade. Além disso, trouxemos mais de 30 empresas que irão se instalar no município. Temos a meta de gerar mais de 6.000 empregos ao longo dos quatro anos. Muita coisa positiva está acontecendo e estamos trabalhando, a população pode ter certeza disso. Estamos honrando os votos que tivemos nas urnas há praticamente um ano atrás. Mas oposição é oposição, isso normal, ainda mais quando ela é irresponsável.

MN – Dentre dessa boataria, temos a grande “rádio peão” da cidade, que é o Facebook. Pessoas não identificadas publicam fatos que supostamente teriam acontecido internamente, como uma espécie de “mensalinho” que seria pago a vereadores. O que você pensa disso?

SB – É um absurdo. Pelo contrário, coitado dos vereadores. Eles têm acreditado em nosso projeto, tem acompanhado todas nossa luta, as dificuldades da cidade, como a dívida. Eles são solidários porque sabem o que estamos passando para gerir Ribeirão Pires. Administrar com dinheiro é fácil, duro é fazê-lo sem dinheiro, para tudo é preciso investimento. Se não há dívida ainda fica no chamado “zero a zero”. Mas pense em uma cidade sem dinheiro e com dívidas. Quanto ao Facebook, lamento o que está acontecendo por lá. Vários “fakes” (pessoas que usam perfis falsos), ofensas pessoais e muitas mentiras. São calúnias da oposição e estamos tomando providências jurídicas. Estão querendo tumultuar e distorcer a realidade. É lamentável. Eu gosto sempre de discutir, responder aos questionamentos, mas está ficando uma situação insustentável, como você vai responder para fakes que só atacam e mentem? Não sabemos quem é, mas de uma coisa tenho certeza: é a oposição irresponsável. A grande verdade é que o grupo que aí estava até o momento não aceitou a derrota, mas acreditava que teriam bom senso. A eleição acabou, mas tivemos pessoas que logo em dezembro anunciaram oposição a um governo que sequer existia. Aí a gente vê o nível da nossa oposição. Como disse, uma oposição com responsabilidade, combatente que assina as denúncias dá a cara para bater, acaba até contribuindo. A oposição que você não sabe quem é, a não ser a Folha de Ribeirão Pires, fica difícil.

MN – Outro boato foi a respeito de uma suposta briga entre secretários que teriam chegado às vias de fato. Isso realmente aconteceu?

SB – Foi discussão corriqueira e normal em uma administração entre dois secretários que tiveram entendimentos diferentes, como já aconteceu em outras gestões. Foi uma discussão técnica. Posso garantir que a história da briga é uma mentira. Isso não aconteceu.

MN – Qual a avaliação que faz do seu secretariado? Pretende fazer alguma troca?

SB – O primeiro ano é de experiência. Não tivemos transição, os secretários tiveram dificuldade para colocar a casa em ordem. É tolerável. Já tivemos três mudanças e nesse momento não penso em alterações, mas não sei o dia de amanhã. Estamos cobrando bastante, mas errar é humano. Não se admite apenas erros com dolo. Caso contrário, é perdoável. Há muito empenho, mas todos eles estão engessados, faltam recursos e isso causa problemas para reajuste salarial para funcionários de carreira, problemas na secretaria, em equipamentos e estrutura. Não é fácil.

MN – Em relação aos terrenos da Prefeiura, você realmente tem intenção de promover a venda? Não seria melhor uma concessão onerosa?

SB – Hoje a Prefeitura possui mais de 500 imóveis na cidade e a grande maioria está abandonada ou invadida. É um ato administrativo, talvez impopular, mas administrativo porque um terreno abandonado está sujeito a ser invadido, cresce mato, vizinhos que reclamam porque outro joga lixo, ninguém contribui com impostos, já que não é cobrado IPTU e, tendo em vista que estamos em situação financeira complicada, porque manter esses imóveis que nunca terão projetos, como UBS e creches, largados? Vende, investe dinheiro, alguém vai comprar, pagar imposto e amanhã ou depois, se precisar, desapropria. Serão apenas alguns imóveis que estão abandonados. Reservamos os que terão projetos. Você pega o Jardim Serrano, por exemplo, os imóveis da Prefeitura estão todos invadidos. É melhor perder um imóvel, deixar invadido? Penso que não. Com esse dinheiro, queremos comprar uma área de 20 mil metros no Parque Aliança para fazer um CEU e também pagar um terreno na Quarta Divisão onde está sendo construída a PEC. A ideia é vender imóveis abandonados e com risco de invasão.

MN – A prefeitura não teria projeto para oferecer aos que já estão neles?

SB – Na grande maioria, não há mais o que fazer. Para alguns, vamos propor o Minha Casa Minha Vida, uma troca. Já para outros, vai ter que regularizar. Eu não quero mais invasões. A Prefeitura não precisa de 500 imóveis, mas apenas do necessário, imóveis-chave que um dia terão projetos, mas tem que cuidar, murar, fazer calçada, da mesma forma que exigimos dos munícipes. Se fossem meus, daria alguma função a eles, não os deixaria abandonados. Estou fazendo isso, é um ato administrativo. Por exemplo, o Jardim Panorama, onde há dois, três lotes da Prefeitura, e nunca vai ser construída creche ou escola. O mesmo se aplica ao Sítio do Francês. O que fazer? Vende e reinveste o dinheiro. Querendo ou não, são recursos que podem entrar no caixa da Prefeitura.

MN – Para concluir, o Senhor planeja alguma ação para enxugar a máquina administrativa?

SB – A máquina já está enxuta. Temos 160 cargos em uma cidade com 120 mil habitantes e 4.000 concursados. É um número pequeno, mas estamos segurando horas extras, dez dias de férias e, com isso, diminuindo os gastos. O que precisamos segurar são as despesas. O maior problema do poder público não é o que entra, mas o que sai. Então é muito desperdício, dou como exemplo o almoxarifado da Saúde, que comprava medicamentos que não tinha saída. Isso acabou. Esses meus opositores, inclusive o ex-prefeito Volpi que fala aos quatro cantos e acha que fez uma boa gestão, esquecem que permitiram durante quatro anos, e quero acreditar que eles não sabiam, um rombo no Imprerp que estimamos passar de R$ 3 milhões. O hospital que deveria estar concluído, uma obra de quatro, cinco anos onde foram gastos mais de R$ 17 milhões. eram eles que estavam no poder. O ex-prefeito com os bens bloqueados, respondendo no MP possíveis desvios de terceirização, eram eles que estavam no poder. E hoje fazem essa oposição irresponsável. Fora diversos contratos que estamos auditando e analisando, vendo se realmente as obras foram feitas, se só não mandaram a nota. Eram eles que estavam no poder. A população pode ficar tranquila que para sair R$ 1 do cofre da prefeitura é uma briga. Muitas empresas que prestam serviço e eram acostumadas a ter lucros maiores, diminuímos, enxugamos. A locação de máquinas e caminhões com horas paradas, contrato de som e palco para eventos, cujo número de horas eram abusivas, cortamos. Tomei uma medida impopular, mas certeira, que foi a suspensão do Festival do Chocolate. Onde já se viu fazer uma festa devendo a edição passada? Não tinha sentido nesse primeiro ano. Foram medidas para sobrar dinheiro em caixa, pois temos prioridades como Saúde e Educação. Fora isso, estamos batalhando por mais desenvolvimento econômico, como trazer um shopping para a cidade. Esta semana, tive uma reunião com o dono da área da Dianda, trouxe os investidores, eles estão se entendendo. Foi a forma que obtive para fazer com que o dono tivesse interesse em fazer algum projeto na área. Eu quero que o negócio saia, que o Shopping seja construído. Fora o projeto do teleférico, que está andando com recursos estaduais e federais. Ribeirão Pires está no Grande ABC, uma área com 2,5 milhões de habitantes que podem visitar a cidade no final de semana. Estamos trabalhando muito, 24 horas por dia e a população pode ficar tranquila pois a cidade está em boas mãos.

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