Próximos de um colapso ambiental

Dia após dia acompanhamos a degradação da natureza, vital para a humanidade, mas que o homem ainda não percebeu sua importância. E pelo “andar da carruagem”, o futuro não nos reserva coisas boas. A Organização Internacional para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) – grupo formado por 34 países, a maioria ricos – fez o alerta: o mundo está caminhando para um colapso ambiental e, se nada for feito o quanto antes, pagaremos um preço muito alto.

Poluição do ar será o principal problema ambiental em termos de saúde pública

De acordo com o relatório “Previsões Ambientais para 2050: As Consequências da Inação”, até 2050 estima-se que a demanda mundial por energia crescerá 80%, sendo que 85% dessa energia deve continuar sendo suprida por combustíveis fósseis. Isso fará com que as emissões de CO2, principal gás causador do efeito estufa, aumentem 50%. Com isso, é dado como certo que a temperatura global suba entre 3°C e 6°C – bem acima dos 2ºC de aquecimento estimado pelo Painel de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU).

A poluição do ar, que parece já ter chegado ao limite, tende a piorar e se transformar no principal problema ambiental em termos de saúde pública, superando a falta de acesso ao saneamento e água potável. O número de mortes prematuras relacionadas a males causados pela poluição do ar deverá mais do que dobrar, especialmente em países como China e Índia. Atualmente as doenças respiratórias associadas à poluição matam 3,6 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.

A água, vital para nossa sobrevivência, corre o risco de ser “artigo de luxo”. A OCDE estima que a demanda por esse recurso cresça 55%, especialmente para uso na indústria (aumento estimado de 400%), usinas termelétricas (+140%) e uso doméstico (+130%). Esse aumento deve colocar sob risco de escassez hídrica tanto os agricultores quanto 2,3 bilhões de pessoas que vivem perto de rios, especialmente na África e Ásia.

O estudo mostrou ainda que as florestas, importantes para os ciclos hídricos, devem ocupar ainda menos espaço até 2050: estima-se que elas encolherão 13%, com perda acentuada da biodiversidade.

A saída para amenizar esse trágico cenário, na opinião de Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, será a adoção de uma mentalidade mais focada no longo prazo, apoiada na ideia da economia verde – tema central da Rio+20, a conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que o país sediará em junho. “Buscar um crescimento mais verde pode ajudar os governantes a enfrentar esses desafios. Tornar mais sustentáveis a agricultura, a indústria o fornecimento de energia e água será crucial para atender as necessidades de mais de 9 bilhões de pessoas”, pontuou.

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