Perla de Freitas: uma Ribeirãopirense que luta pela educação pública

Em entrevista ao Mais Notícias, Perla de Freitas, lídima representante da laboriosa classe dos professores e presidente Sineduc de Ribeirão Pires há 22 anos, fala sobre a evolução e os desafios da educação pública, ressaltando o papel crucial dos professores na formação do ser humano e também fala um pouco sobre sua história no Dia do Professores.

Mais Notícias: Perla de Freitas, há quanto tempo você é presidente do Sineduc?

Perla de Freitas: São 22 anos. Ininterruptos e combinando a rotina do sindicato com o trabalho na maior parte deles e sempre na escola pública.

MN: As pessoas estão vendo a escola pública com melhores olhos do que em tempos recentes. Como você analisa a escola de quando você começou lá atrás para de hoje?

PF: A escola pública no nível municipal tem uma qualidade maior do que as da rede estadual em São Paulo que, há mais de 30 anos vivem um processo de sucateamento do ensino. Agora, estão destruindo até o EJA (N.R: Escola de Jovens e Adultos, antigo Supletivo) e também o ensino noturno, justamente para que o jovem trabalhador não possa estudar. Não é culpa de professores, diretores, nem falta de verba da educação para ser gasta. É um projeto político de sucateamento do ensino.

MN: A progressão continuada fez parte disso?

PF: A progressão continuada foi uma tragédia anunciada, porque os movimentos de trabalhadores na educação sempre denunciaram que isso não daria certo. E isso, infelizmente, se concretizou. Não tem cabimento aprovar automaticamente, isso traz um descompromisso em relação a educação. Não é reprovação como punição, jamais um educador defenderia isso, mas é da psique humana a necessidade da recompensa, da consequência sobre seus atos. A partir do momento que você retira a consequência, o que acontece? Um descompromisso. A educação hoje tem se tornado cumprimento de metas e números que não fazem sentido à vida real, apenas para governos que têm justamente a missão de destruí-la, afinal, não interessa a determinados tipos de governo um povo consciente, um povo educado, um povo estudado. Porque ele questiona. O que segura a educação é a fé, a dedicação, dos trabalhadores na educação, dos dirigentes, dos professores e dos funcionários que lutam para manter esse serviço que é tão importante para a sociedade.

MN: E esse cenário que se vê na educação estadual acontece na municipal também?

PF: Olha, na cidade de Ribeirão Pires, não. Porque assim, a nossa educação municipal, ela é infantil e fundamental, são outros setores e há um padrão de qualidade diferenciado, da primeira formação do aluno, que é feita de uma maneira mais próxima e adequada para a idade dos alunos aqui do município.

MN: Hoje a gente vê que é difícil as crianças se sentarem, pegar um livro e estudar. São muito ligadas a celular e computador, por isso, houve a proibição dos celulares na sala de aula. Como encaixar essas novas tecnologias na educação?

PF: É preciso investimento em tecnologia na sala de aula. Nós precisamos de loja digital, nós precisamos de acesso ao computador, porque os alunos tenham acesso. Existiram algumas experiências como em Ribeirão Pires que chegou a ter laboratórios de informática. Isso precisa ser ampliado. É que nós temos também hoje, por exemplo, uma situação muito específica também, que decorre da inclusão da criança especial que cresceu vertiginosamente nas últimas décadas e não progrediu a parte do apoio, da especialização dos profissionais para fazer com que essa inclusão seja real, então assim, nós temos muitos desafios para enfrentar e eles passam por dinheiro para investimento, passam também pela concepção do governo, mas são muitos desafios que tem que ser. Ribeirão Pires tem se esforçado e tem atingido parcialmente essas necessidades.

MN: Faça um balanço da sua gestão no sindicato. São 22 anos.

PF: Assim, esse sindicato foi fundado, Danilo, na verdade ele começou como sindicato dos trabalhadores da educação. Ele hoje é sindicato dos professores numa exigência do Ministério do Trabalho. Ele surgiu de uma necessidade concreta, a gente tinha um regime de trabalho nas creches absurdo. Não tinha direitos básicos de professor, mas era exigido como professor. Então, a partir desse movimento, para conseguir melhorar essas condições de trabalho, é que o sindicato nasceu. Uma grande demanda que eu inclusive acredito que nós vamos conseguir é o plano de carreira, que é fundamental. Evoluímos demais. demais mas é inegável que a existência do sindicato contribuiu sobremaneira para condições de trabalho mais dignas para a educação de Ribeirão Pires.

MN: Como que você vê o futuro da educação?

PF:  Nós estamos nos aposentando, os outros professores antigos. Então, eu diria para você que é uma incógnita, que eu, como professora, espero que o futuro da educação próspero. Que os jovens se formem professores, que tenham convicções da importância da educação para a transformação das vidas. Que a educação seja de novo valorizada porque uma sociedade sem educação, não tem caminho próspero possível.

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