As letras miúdas dos atos não lidos

Poucas pessoas – ou quase ninguém – deve ter lido a edição do dia 10 de abril de 2012 do jornal ABC Repórter, um “ilustre desconhecido” que foi contratado para publicar os seus atos oficiais da Prefeitura de Ribeirão Pires.

Na página 5 da citada edição, o jornal publica, entre outros atos, a recisão unilateral de seu contrato com a OSSPUB, referente a gerência de Casas Terapêuticas, da Farmácia Popular e Hospital São Lucas. O ato decretado pelo secretário interino da Saúde, Allan Frazatti, dá como única motivação “a ausência de justificativas plausíveis para supostas irregularidades no emprego dos repasses realizados no âmbito do contrato de gestão…”.

Isto posto, e de posse da liminar concedida pela justiça, o secretário, devidamente escoltado pela Guarda Civil Municipal, tomou as rédeas e passou a “conduzir” o único hospital público da cidade.

A criação do fato, aliada a forte propaganda tenta, ao fim do desastroso mandato de Volpi em relação a Saúde, salvar os dedos (visto que os anéis já se foram), colocando a culpa de seus desmandos e falta de gestão sobre os ombros desta e de outras ONGs que a antecederam, entidades essas escolhidas pelo mesmo governo para cuidar dos ribeirãopirenses.

Essa cortina de fumaça em clima de ”fim de feira”, uma “caça as bruxas”, nada mais é do que uma tentativa desesperada de manter nos trilhos a vacilante campanha de Dedé da Folha à prefeitura.

O que nos causa mais estranheza é o fato de o Poder Judiciário ter concedido liminar suspendendo unilateralmente um contrato de suma importância para toda a comunidade ribeirãopirense baseada no argumento (segundo publicação oficial) de “supostas” (hipotéticas, fictícias, presumíveis) irregularidades no repasse de verbas. E mais: obriga a OSSPUB a cumprir as normas que disciplinam o contrato, inclusive a proibição de falar a imprensa em sua defesa.

Com a palavra quem não estiver amordaçado por contratos ou outros quetais.

Gazeta

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