CIPTEA amplia acolhimento e facilita rotina de famílias atípicas

Há quatro anos, documento garante identificação, atendimento prioritário e acesso mais simples aos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Aos seis anos, Miguel de Paula Loro já enfrenta uma rotina cheia de consultas, terapias, acompanhamento médico e cuidados que fazem parte da vida de muitas famílias atípicas. Ao lado da mãe, Cleide Lima de Paula Loro, do pai, Wagner Rodrigues Loro, e da irmã, Melissa de Paula Loro, o menino encontrou na Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) uma forma mais simples de ser compreendido e ter seus direitos respeitados.

Miguel recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos dois anos. Antes da confirmação, a família já percebia diferenças no desenvolvimento do menino e acompanhava atentamente cada nova etapa.

“A gente já desconfiava, mas os médicos pediram para aguardar e observar como ele iria se desenvolver. Como algumas habilidades esperadas não apareceram até os dois anos, o diagnóstico foi fechado. Desde então, é uma batalha atrás da outra, porque envolve tratamento, terapia, médico, nutrição e muitos outros cuidados”, contou Cleide.

Em julho de 2026, Ribeirão Pires completa quatro anos desde o início da emissão da CIPTEA. O documento, disponibilizado gratuitamente pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência, Participação e Inclusão Social, é destinado às pessoas com diagnóstico comprovado de TEA.

Para a família de Miguel, a carteirinha tornou o acesso aos serviços e aos espaços públicos e privados mais tranquilo. Em consultas médicas, atividades de lazer, eventos e viagens, o documento funciona como uma identificação oficial e evita que os responsáveis precisem explicar repetidamente o diagnóstico da criança.

“As pessoas estão entendendo melhor, respeitando mais e garantindo os direitos que ele tem. A carteirinha facilita a comunicação. Você chega, apresenta o documento e consegue resolver. É uma forma de comprovar que ele é autista e que precisa de atendimento prioritário”, explicou a mãe.

Cleide também destaca que o documento contribui para reduzir julgamentos, especialmente durante situações de crise ou sobrecarga sensorial. Além da carteirinha, outros símbolos de identificação, como o cordão de girassóis ou de quebra-cabeça, ajudam a sinalizar que aquela pessoa pode precisar de apoio, compreensão e um atendimento diferenciado.

“Às vezes, uma pessoa vê uma criança em crise e não sabe o que está acontecendo. Quando estamos com o cordão ou com uma identificação, fica mais fácil para o outro entender e julgar menos. Isso abre portas e simplifica bastante a nossa rotina”, afirmou.

Ao longo dos últimos anos, a família também percebeu avanços na inclusão e no acolhimento das pessoas com deficiência no município. Para Cleide, o aumento do acesso à informação tem ajudado a sociedade a compreender melhor o autismo e as necessidades das famílias atípicas.

“Hoje a gente se sente mais acolhida pela cidade. Vemos que o acesso à informação está crescendo e que as pessoas estão procurando conhecer, entender e abraçar mais. Isso ajuda a proporcionar uma qualidade de vida melhor para as famílias”, ressaltou.

A mãe de Miguel ainda deixa uma mensagem para os responsáveis que percebem sinais diferentes no desenvolvimento de seus filhos, mas sentem receio de procurar avaliação profissional.

“Quanto antes buscar ajuda, melhor. O diagnóstico permite que a criança tenha acesso ao tratamento e ao acolhimento necessários para se desenvolver e alcançar todo o potencial dela”, disse.

Há quatro anos, documento garante identificação, atendimento prioritário e acesso mais simples aos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Compartilhe

Leia também