Solução para falta d’água se torna risco a moradores de Ouro Fino

Moradores apontam risco à segurança

Moradores apontam risco à segurança

Inaugurada há uma semana, a obra de transposição entre as bacias do Rio Grande e do Taiaçupeba, que passa por Ouro Fino, está causando transtornos aos moradores da região, especialmente no Jardim Luzitano, onde a tubulação desemboca em uma caixa de desaceleração antes de seguir para o córrego Taiaçupeba-Mirim.

Pelo projeto, são despejados até 4 m³ (4 mil litros) de água por segundo, aumentando assim o volume natural do córrego que acaba na represa de Taiaçupeba, em Suzano, onde está instalada uma estação de tratamento de água.

No entorno, há diversas residências, ruas e também a linha da MRS por onde passam trens de carga. Moradores da região relatam que o acúmulo de água está causando erosão nas margens. Além disso, como a reportagem do Mais Notícias pôde constatar, o nível do córrego está alto e a correnteza forte, o que pode causar acidentes. Também foi formada, a poucos metros de onde a água desemboca, uma série de “mini cachoeiras”, que estão fazendo com que o solo ceda e ofereça risco, inclusive, a linha do trem.

“Temos medo de que uma criança caia nesse córrego”, relatou um morador que preferiu não se identificar. Diga-se de passagem, há uma ponte que passa sobre o córrego com quatro manilhas que se encontra, sem chuva, com metade de sua capacidade ocupada pelas águas. Vimos moradores tentando desobstruir as entradas para evitar acúmulo de lixo.

“A água corre aqui 24 horas por dia. Quem garante que não vai ter erosão?”, afirmou o morador Eli Martins. “Temos receio de que algo pior aconteça. Lutamos para construir nossas casas. Eles vêm, fazem obras ‘nas coxas’ (sic) e depois acontece alguma coisa e nos obrigam a sair. Aqui é um bairro de gente simples, quem vai pagar (o prejuízo)?”

Vistoria – Na manhã de ontem (06), uma equipe da secretaria de Meio Ambiente esteve no local. Segundo o secretário Gerson Goulart, o Gelão, a Prefeitura de Ribeirão Pires iria embargar a obra: “terão que fechar o bombeamento até que essa situação seja solucionada”, disse. Cabe ressaltar que a obra é vista como prioritária pelo Governo do Estado para solucionar o problema de falta de água na Região Metropolitana. Na última semana, exatamente por conta deste risco, a Defesa Civil embargou a obra e o DAEE (Departamento de Águas, Esgoto e Energia) assinou um documento garantindo que o teste que foi efetuado (com 1 m³) não iria causar danos e que “estará promovendo a proteção da margem direita” daquele trecho permitindo assim “o progressivo aumento das vazões”. Por conta disso, foi acertada a diminuição da vazão, para cerca de 1,5 m³, até que seja sanada a situação.

DAEE – Em contato com o Mais Notícias, o Gerente de Engenharia do DAEE, Silvio Giudice, informou que representantes do órgão estiveram ontem no local para análise e constataram que a alta no nível se deu por conta do “acúmulo de material vegetal” nos dutos e que, após limpeza, o nível caiu. Por conta disso, a Sabesp foi comunicada da necessidade de constante limpeza no local. Ele ainda informou que entre sexta e terça um técnico estará no local para verificar as providências a serem tomadas. O jornal   Mais Notícias continuará acompanhando o caso.

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