Saulo Benevides: “faremos o melhor governo que esta cidade já teve”

Em seu gabinete, o prefeito Saulo Benevides recebeu a reportagem do Jornal Mais Notícias na última segunda-feira para uma entrevista em que falou sobre seus primeiros 70 dias de gestão e falou sobre a situação financeira da Prefeitura, planos e projetos para o futuro e também sobre o cumprimento de promessas de campanha, como o teleférico e o mini zoológico.

Foto: Gabriel Mazzo PMERP

Prefeito concedeu entrevista em seu gabinete

Mais Notícias: Você passou 16 anos no Legislativo e agora está pela primeira vez em um cargo do Executivo. Qual foi a principal diferença que você sentiu?

Saulo Benevides: Na verdade, no Legislativo você tem limitações, pede, reivindica, as vezes reclama, apresenta requerimentos, indicações, mas não tem o poder de decisão, que é inerente ao Executivo. Tudo aquilo que eu sonhava, pensava como vereador que poderia apresentar ao Prefeito, terei oportunidade de colocar em prática agora. Penso que essa é a grande diferença.

MN: E os primeiros 70 dias a frente da Prefeitura? Qual a sua análise?

SB: Esses 70 dias foram difíceis, porque o que vendiam na cidade era que o próximo prefeito iria receber uma Prefeitura sanada, sem débitos ou dívidas, com uma educação de qualidade excelente e, na verdade, não foi isso o que aconteceu. Na verdade, estamos aqui administrando problemas. Em um orçamento de R$ 240 milhões, assumimos com R$ 41 milhões em dívidas com fornecedores, fora precatórios. E débitos com fornecedores são complicados, eles querem receber já para continuar fornecendo. Quando você assume com uma herança de dívidas em precatórios, tem oportunidade de negociar, discutir no judiciário. No nosso caso, não. Em 1º de janeiro, assumimos a cidade com uma série de problemas, sem transição, no que em minha opinião o (ex-prefeito Clóvis) Volpi foi irresponsável, já que poderia ter nos dado a oportunidade de fazê-la. Com isso, ficamos 70 dias administrando problemas e dívidas. Mas estamos animados e esperançosos, porque o trabalho já está dando resultado, estamos recuperando dinheiro e recursos. Adotamos uma política de economia, controlando tudo o que entra e sai.

MN – Qual o maior problema detectado na Prefeitura?

SB – Um dos maiores problemas do administrador público, do poder público em geral é o desperdício, a má administração. Cortamos aqui e ali e temos percebido que começou a sobrar dinheiro na conta. Mas ainda há algumas medidas para tomar. É preciso zerar os alugueis que a prefeitura paga, de alto valor. Vamos ficar só com o que é necessário, como as creches. A administração do Meio Ambiente, por exemplo, que está no Shopping (Garden), vamos trazer para cá, otimizando o espaço que nós já temos. Há diversos prédios públicos que suportam secretarias, mas é preciso vontade política e determinação para isso. Precisamos ainda baixar as contas de água, luz e telefone, que são altas. Esse mês, por exemplo, foram mais de R$ 100 mil só em contas de água, um absurdo. Há muito o que ser feito. Todas as medidas que tomamos ao longo desses setenta dias foram para isso: economizar.

MN – Qual o poder de investimento da Prefeitura hoje?

SB: Zero. Hoje, nosso poder de investimento é zero, estamos tentando manter o que tem e fazer a manutenção. A cidade parecia um queijo suíço, cheia de buracos, então já determinei que as empreiteiras que tem contrato com a prefeitura façam a manutenção dos buracos, a limpeza, já que a cidade está cheia de mato. É preciso fazer a manutenção, limpar a cidade, ainda que se precise de uma máquina alugada, um caminhão alugado. É preciso manter a cidade limpa e isso é investimento. Mais investimentos, novas projetos, como construções de creches e escolas, só no segundo semestre ou talvez no ano que vem. Mas os projetos que entendemos ser importantes já apresentamos, tanto para o governo do estado quanto para o Governo Federal.

MN – O fato de o vice-presidente da república ser o presidente do seu partido facilita um aporte do Governo Federal para a cidade?

SB – Na verdade, estamos contando com isso. Inclusive, estou tentando marcar uma audiência com o vice-presidente (Michel Temer) para esse final de mês ou começo de abril. Eu tenho o projeto do teleférico, um projeto turístico importante pelo fato de Ribeirão Pires ser uma estância turística e o PMDB ter o Ministério do Turismo. Em outubro, assim que acabaram as Eleições, a primeira coisa que fiz foi falar com o Michel (Temer), porque tínhamos esse desejo de apresentar o teleférico, que eu entendo que vai trazer o ABC, o morador de Diadema, de Santo André, de São Bernardo para a cidade ao menos nos finais de semana. Essa é a ideia. Apresentei o projeto que custará cerca de R$ 15 milhões, sem contrapartida do município, uma obra 100% federal a fundo perdido, ou seja, não é empréstimo e não custará nada para Ribeirão Pires.

MN – E este teleférico passaria por quais lugares?

SB – Ele sairia aqui do Complexo Ayrton Senna, iria até o Jardim Mirante e de lá ele beiraria o parque e para encerrar o trajeto no Parque Milton Marinho de Moraes (Camping), com uma leve descida no meio, porque a ideia é fazer o Mini-Zoológico que nos comprometemos na campanha.

MN – Além do Teleférico e do Mini-Zoológico, o que a população pode esperar no curto e médio prazo em termos de turismo?

SB – Para este ano, receberemos dinheiro do DADE (Departamento para Auxílio ao Desenvolvimento das Estâncias), no valor R$ 4,4 milhões. A princípio, a ideia era cumprir uma promessa de campanha, a famosa Cidade Encantada, espaço com Papai Noel, Casa do Coelho, onde iríamos fazer todos os eventos, a Rua do Artesanato e, a Rua da Gastronomia, enfim, um espaço onde haveria todos esses atrativos. Só que infelizmente a Prefeitura é desorganizada. O DADE só aceita projetos em que a área já detenha a escritura, a certidão de propriedade da área. Tem que ser uma área pública e documentada, mas aqui não tem. Todas as áreas da Prefeitura estão sem documentos, inclusive criamos um departamento agora para documentá-las. Não pudemos apresentar este projeto simplesmente porque não temos áreas documentadas. Então, achamos melhor apresentar um projeto na área central em que iríamos fazer uma cobertura e um calçadão, em um estilo bem bacana, europeu. Vamos pegar a parte do Bradesco, do Shopping Duaik e levar até a Rodoviária cobrindo.

MN – Seria algo ao estilo da Rua Coronel Oliveira Lima, em Santo André?

SB – Sim, só que muito mais bonito. Ali ficou muito alto, por conta da altura dos prédios. No nosso caso, será mais baixo. Com isso também contemplaremos o pessoal que sai da Estação de Trens e da Rodoviária, que não tomarão mais chuvas.

MN – Com isso, iremos perder cerca de 80 vagas de estacionamento no Centro. A ideia é tirar os carros ou a Prefeitura pretende erguer algum bolsão de estacionamento?

SB – Pedi para o Departamento de Trânsito fazer um estudo para ampliar a Zona Azul para além da área central. Desta maneira, as vagas ficariam fora deste círculo. Na verdade, isso irá aquecer os estacionamentos particulares. A ideia é atrair mais visitas e não se preocupar só com quem é de Ribeirão, mas também com quem vem de fora.

MN – Em Ribeirão Pires, há muitas pessoas que saem para comprar nas cidades vizinhas, fazendo com que o dinheiro daqui saia da cidade. Nesse projeto também estão previstas medidas de estímulo ao comércio local?

SB – O Comércio local está com muitas dificuldades por conta deste fato. O comerciante tem um concorrente direto, que é o trem. O munícipe quer fazer uma compra mais popular, pega o trem e vai para Mauá, Santo André, Brás e compra por lá. Quem deseja passar com a família no final de semana, quer ir a um restaurante, tomar um sorvete, pega o carro e vai para o shopping, em Mauá, Santo André e São Bernardo. Faltam atrativos. Então, o que temos que fazer? Criar uma estratégia para fazer as pessoas gastarem aqui. Temos um belo projeto de um shopping, com parceiros que desejam investir em Ribeirão Pires. A ideia é apoiar esses parceiros para que eles invistam na cidade. Além disso, há a questão da Lei Cidade Limpa, que teremos que rever.

MN – Já há algum lugar para este shopping?

SB – Há o local da antiga Siporex (na Avenida Humberto de Campos) e da Antiga Dianda (no Jardim Panorama). Eles já vieram aqui, gostaram das áreas, fizeram o planejamento e viram que a cidade comporta uma estrutura. Essa é a ideia: fazer o morador ficar aqui e trazer pessoas de fora.

MN – Há outros incentivos previstos para a cidade?

SB – Eu me preocupo com o comércio local. O que pretendemos fazer, uma promessa de campanha que consta em nosso Programa de Governo é aquecer o comércio local. Lógico que já fazemos isso trazendo empresas e um shopping, mas tenho a intenção de dar um bônus para o funcionalismo, em parceria com a Aciarp, um cartão para cada funcionário público carregado com um valor entre R$ 100 e R$ 150 que só poderia ser gasto no município.  Então, 4.000 funcionários multiplicados por esse valor, resultariam em um aporte de aproximadamente R$ 600 mil por mês gastos no município, o maior apoio que a Prefeitura poderia dar. Temos essa ideia, está em nosso plano de governo. Este ano não vamos fazer, no segundo talvez não consigamos, mas no mandato teremos que fazer.

MN – Para encerrar, O que o ribeirãopirense pode esperar do Saulo para os próximos 12 meses?

SB – Empenho, dedicação, compromisso de verdade com a cidade, algo que nunca neguei em todos esses anos de vida pública. Tudo a que nos comprometemos na campanha e colocamos no plano de governo não foram promessas e sim compromissos que vamos cumprir à risca. Vamos fazer o melhor governo que esta cidade já teve, com a melhor administração do Grande ABC. E isso é muito mais do que um desafio, é um compromisso.

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