“Flanelinhas” tomam conta do Centro e incomodam motoristas

Um velho problema das grandes cidades chegou a Ribeirão Pires e foi alvo de denúncias recebidas esta semana pela redação do Jornal Mais Notícias: os guardadores de carros, que, além de causar grandes problemas aos condutores de veículos da cidade, tem até mesmo “negociado” vagas na área da antiga rodoviária para motoristas.

Ação de guardadores de carros têm gerado reclamações

Uma leitora, que será identificada como Maria (nome omitido a pedido da mesma), foi vítima de uma ação no mínimo incomum por parte dos flanelinhas que tomaram conta da área onde estava localizada a antiga rodoviária. Após estacionar seu carro no local para ir a farmácia, ela foi abordada por um deles que exigiu a retirada do veículo sob alegação de que “o lugar tinha dono” e que era “absurdo ela estar ali ocupando o lugar de outros”. Ela manteve o veículo na vaga, mas acabou sendo hostilizada antes de deixar o local que, atualmente, não está incluso na Zona Azul. “Foi feito um pedido para que a via volte a ser inclusa no sistema, mas ainda estamos aguardando a resposta”, afirmou Deborah Perrone, Coordenadora da Aciarp.

Outro leitor, que será identificado como Daniel, relatou que na região entre as ruas do Comércio e Felício Laurito, as ações são comuns: “é só acabar a hora da Zona Azul que eles tomam conta. Acabo dando dinheiro a eles porque tenho medo de que façam alguma coisa comigo ou com meu carro. Não são todos, mas alguns realmente intimidam”.

Esses tipos de ações, infelizmente, são muito comuns na capital paulista onde, não raro, há relatos de detenções e por conta de abusos, como a cobrança (antecipada) de valores que chegam a R$ 70 em grandes eventos, como shows e jogos de futebol além, é claro, do trabalho irregular.

A profissão é regulamentada por meio da lei 6242/1975 e o decreto federal 79.797/1977 que são claros ao afirmar que “o exercício das profissões de guardador e lavador autônomo de veículos automotores, com as atribuições estabelecidas neste Decreto, somente será permitido aos profissionais registrados na Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho” e depende da apresentação de documentos como atestado de bons antecedentes e negativa de débitos. Ou seja: a imensa maioria destes profissionais trabalha de forma irregular. Mais um detalhe, de acordo com o parágrafo 3º do artigo 3º do decreto, “durante o período de estacionamento o veículo, seus acessórios, peças e objetos comprovadamente deixados no seu interior, ficarão sob a vigilância do guardador de veículos automotores”. Ou seja: quaisquer danos que o automóvel venha a sofrer são de responsabilidade do guardador – algo que, infelizmente, não acontece.

A Prefeitura afirmou que “a Secretaria de Segurança Pública recebeu informações sobre esta situação. As rondas da Guarda Civil Municipal serão intensificadas e a ROMU dará apoio, parando em locais e horários estratégicos para coibir a ação irregular dos guardadores.

Caso seja verificado qualquer tipo de abuso ou irregularidade, os GCMs foram instruídos sobre como abordar as pessoas que trabalham como guardadores e solicitar documentação que regulamenta a atividade. Denúncias sobre guardadores de veículos agindo irregularmente podem ser feitas à Guarda Civil Municipal da cidade, pelo telefone 4825-2318”.

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