Dia da Luta Contra a AIDS: SUS mantém epidemia estabilizada no Brasil

Hoje, dia 1º de dezembro, celebra-se o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS. Se já houve dados alarmantes no que diz respeito a casos da doença no Brasil, isso foi superado e, nesta data, há motivo para comemoração. De acordo com o Boletim Epidemiológico AIDS/DST 2011, divulgado na última segunda-feira (28) pelo Ministério da Saúde, a prevalência (estimativa de pessoas infectadas pelo HIV) da doença permanece estável em cerca de 0,6% da população, enquanto a incidência (novos casos notificados) teve leve redução de 18.8/100 mil habitantes em 2009 para 17,9/100 mil habitantes em 2010. O investimento do Sistema Único de Saúde (SUS) na prevenção e na ampliação da testagem e do acesso ao tratamento antirretroviral, além da capacitação dos profissionais de saúde, são os fatores que mantém sob controle a epidemia de AIDS no país. Aliás, autoridades destacam que o programa brasileiro é apontado como referência pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/AIDS (Unaids).

Um dos pontos altos da ação do SUS é o acesso universal aos medicamentos de combate ao HIV. O Brasil foi um dos pioneiros a distribuir, gratuitamente, toda a medicação necessária para o combate ao vírus, investimento que, este ano, chegará a R$ 846,7 milhões. De acordo com diretor do Departamento de DST/AIDS do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, 97% dos brasileiros diagnosticados com AIDS recebem os 20 medicamentos atualmente usados no tratamento.

A coordenadora do Ambulatório de Infectologia da Secretaria de Saúde e Higiene de Ribeirão Pires, Nanci Garrido Butin, ressalta a qualidade de vida que os antirretrovirais proporcionam à quem é soropositivo. “É muito boa. As pessoas podem realizar projetos, pois as medicações adiam a instalação da doença, assim, podem continuar a viver bem e podendo fazer planos e concretizar. Atualmente, as pessoas estão envelhecendo com o vírus”.

Na cidade, em 2010, foram registradas 14 mortes pela doença. Este ano, cinco pessoas faleceram em decorrência do vírus HIV. “A maior parte dos óbitos registrados é decorrente do paciente não seguir o tratamento corretamente, por complicações e/ou diagnóstico tardio, por isso a importância de todos realizarem os exames”, completa Nanci.

O agente de saúde do Ambulatório de Infectologia ribeirão-pirense, Luiz Grande, também destaca o avanço do país na questão do tratamento à doença. “Um amigo meu que vive em Londres e é portador de AIDS, me contou que lá as pessoas têm que comprar as medicações, quando tem. Estive em Buenos Aires (Argentina) esse ano e constatei que lá não tem Programa de AIDS. O SUS ainda é a única alternativa que dispomos no momento. Se isso tudo tivesse acontecido entre os anos de 1989 a 1994, meus amigos não teriam morrido de AIDS”, fala.

Números – Em alguns grupos, o avanço no combate à epidemia no país é mais marcante. Entre os menores de cinco anos de idade, casos relacionados à transmissão vertical, ou seja, da mãe para o bebê durante a gravidez, o parto ou pelo leite materno, a taxa de incidência (número de casos por 100 mil habitantes), caiu 41% de 1998 a 2010.

Em relação à taxa de mortalidade, o Boletim também sinaliza queda. Em 12 anos, a taxa de incidência baixou de 7,6 para 6,3 a cada 100 mil pessoas. A queda foi de 17%.

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