Um fato não anula o outro

A medida em que outubro for se aproximando, mais denúncias contra agentes públicos irão aparecer seja em panfletos, sites ou páginas de jornais, todas com o intuito de tentar mostrar ao eleitor que a opção X é melhor do que a Y ou ainda que um lado não tem os fisiologismos de outro. Isso posto, as defesas também serão das mais diversas e criativas, como, por exemplo, aconteceu no Caso Yoki, em que a esposa esquartejou o milionário marido sob o pretexto de ciúmes.

No caso em questão, a mulher alegou que seu marido a havia traído e esse seria o fator motivador de um dos mais bárbaros crimes da história do Brasil. Em contraponto, seus detratores alegam que o fato de ter sido meretriz anteriormente teria influenciado na sua decisão. É um típico caso de desvio de foco, uma tentativa de se anular uma ação atacando a moral do indivíduo, como se isso pudesse anular todo o mal já efetuado.

Como avós, pais e mães bem sabem, um pedido de desculpas após uma traquinagem não vai consertar o vaso já quebrado ou cicatrizar a ferida (física ou moral) de um machucado, mas faz a pessoa refletir sobre o que fez com o intuito de não repetir o ato, assim como o subterfúgio infantil de atribuir a culpa a outrem por ter feito algo que o deixou fora de si também não é justificável.

Recentemente, denúncias diversas vieram a público e, como resposta, o alvo do momento as classificou como “eleitoreiras” e de que um dos jornais que as fez “tinha cunho político”, uma forma de claramente tentar desqualificar as acusações, colocar dúvida sobre o que havia sido escrito usando uma justificativa que, em análise fria, não era condizente ao momento.

Explica-se: mesmo que se considere que elas tenham sido feitas no intuito de “turbinar” a campanha de um terceiro, o foco é se representam ou não a verdade. Em caso afirmativo, cabe ao (e)leitor saber filtrar a informação e separar o joio do trigo de maneira fria, sem mesquinharia. Mais do que a intenção, vale o relato dos fatos, desde que sejam verdadeiros. Um fato não anula o outro.

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