Tripudiar sim, por que não?

Por Gazeta

O ex-presidente Lula, assim que confirmada a prisão de seus amigos e assessores por conta do chamado Crime do Mensalão, veio a público com a cara de pau que lhe é peculiar e disse que é desnecessário tripudiar sobre os presos. Acho aceitável que o ex-presidente proteste solidariedade aos amigos que o blindaram de tal forma que tornou-se impossível processá-lo junto aos outros, embora o crime estivesse ocorrendo sob suas barbas e sob o mesmo teto, o Palácio do Planalto.

Dirceu, Delúbio e Genoíno, companheiros daquele que pode ser o maior esquema de corrupção da história do país, começaram a pagar pelo Mensalão e estão conhecendo a dura realidade da vida atrás das grades. Embora já tenham ganho privilégios como visitas em dias diferenciados dos demais presos, têm que usar uniforme, chinelos, toalha, sabão, creme dental, caneca e colheres de plástico, o chamado “Kit Presidiário” que Direceu pensou em recusar antes de ser informado que recebê-lo não era uma opção.

O código de conduta do lugar manda andar de mãos para trás, cabeça baixa e sempre pedir permissão para falar, de preferência fazendo uso da expressão “por favor”. Um agente penitenciário confidenciou a um repórter da revista Veja que nunca pensou ouvir do ilustre trio um “com licença senhor”.

É triste presenciar o sofrimento de um ser humano em tal situação, mas não nos esqueçamos que os mesmos provavelmente não tiveram nenhuma compaixão quando no poder tripudiaram sobre todos os cidadãos brasileiros.

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