Transporte público: falta infraestrutura ou educação?

Não é de hoje que as pessoas sofrem ao utilizar o transporte público, em especial os ônibus. O brasileiro, literalmente, paga (caro) para sofrer todos os dias para passar por transtornos como atrasos, greves, falta de espaço físico e falta de educação de alguns usuários e motoristas.

A edição desta semana do Jornal Mais Notícias preparou uma matéria especial para que o ribeirãopirense saiba a quantas anda o transporte na cidade. Para isso, nesta última terça-feira por volta das 17h entrei no ônibus com destino a Vila Bonita.

Resolvi fazer o teste pois estou no sexto mês de gravidez. Ao entrar na condução, reparei que os assentos preferências localizados antes da roleta, estavam ocupados por idosos. Mas ao me aproximar para pagar minha passagem, uma mulher por volta dos quarenta anos e sem nenhuma deficiência física ocupou o assento para cadeirantes, e assim que me viu desviou o olhar fingindo que eu não estava lá.

Seguindo a viagem, continuei invisível. O espaço físico era cada vez menor, senti muita dificuldade em me segurar. Aos trancos, o motorista fazia seu percurso dirigindo sem prudência, correndo e freando bruscamente.

Parecíamos ‘pedaços de carne’ e não pessoas. Minha preocupação aumentava já que estava chegando ao meu ponto final, será que ninguém iria oferecer o lugar para uma gestante? Estava descrente que alguém poderia fazê-lo, até que ao tentar me segurar, acabei esbarrando em outra moça o que acabou chamando a atenção de um homem que estava na minha frente. “Nossa moça! É melhor você se sentar aqui”, disse o passageiro constrangido ao perceber que eu estava grávida.

Agradeci e me sentei. Puxei assunto e revelei que muitos fingem que estão dormindo ou olhando pela janela para não ter que dar o lugar. “Mas o que é certo é certo. Se a pessoa está sentada em banco reservado, você tem todo o direito de pedir para que a pessoa se levante”, disse o munícipe.

Continuei a conversa e citei a cidade de São Paulo onde o caos é visível. “O que surpreende são as pessoas que não tem educação nenhuma”. Ressalta. Durante a conversa, outros munícipes entraram no ônibus e cada vez mais o espaço diminuía, me deixando no outra pergunta: como eu faria para sair?

Enquanto tentava traçar uma estratégia para descer, uma moça sentada ao meu lado, disse: “Estou pensando como eu vou fazer para descer no meu ponto. Não para de entrar gente, como eu vou chegar à porta?”. Em desabafo, também disse ser minha preocupação no momento. Com alguma dificuldade, consegui sair no último ponto antes do São José de Inox, na Santa Luzia.

Conclui que ainda existem pessoas que tem educação, mas por outro lado é preciso investir e melhorar as condições do transporte público que clama por soluções e ela vai muito além de mera discussão sobre o valor da passagem.

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