Tempo que passa, tempo que voa

Destaque:

A vida, caro amigo, não é linear a esse ponto. Cada escolha é uma renúncia que demanda novas escolhas, novas renuncias e novas histórias.

Quatro anos. Quadriênio. Tempo em que se espera por uma Copa do Mundo. Tempo em que se espera por uma Olimpíada, o chamado Ciclo Olímpico. Tempo em que se parcela um carro. Em quarenta e oito meses, muita coisa pode acontecer. Uma criança nasce, é amamentada, aprende a andar, a falar e até mesmo vai para a escola rascunhar as primeiras letras do que no futuro pode ser um livro de sucesso.

Nesse tempo, envelhecemos, vivemos muitas aventuras, desventuras, amores, desamores, paixões e paixonites. É tempo para depositar a semente e ver a árvore crescer e se desenvolver. Infindáveis namoros, noivados e casamentos viram eternos enquanto duram ou desmoronam em uma dolorosa separação. É tempo mais do que suficiente para que os imponentes cabelos negros ganhem o peso da experiência grisalha, que pessoas importantes para nossas vidas passem de invencíveis e imortais a lembranças eternas em nossos corações e mentes.

Quatro anos. Tempo que parece infinito quando se pensa que representam na verdade 1461 dias, 35.064 horas, 2.103.840 minutos quando se iniciam, mas que passam como raio quando se nota que resta apenas 1 dia, 24 horas e 3600 minutos para seu fim. É muito tempo sim, mas vira pouco quando mal aproveitado. Pode até virar nada quando se torna um mar de arrependimentos sem fim ao se perceber que o muito que poderia ser feito se perdeu nos giros do relógio que, implacável, teima em não parar e esperar que aquele mar de indecisões se torne uma gota de sabedoria para saber a hora exata de agir.

Esse quatro anos, quando menos se percebe viram três, dois, até chegar naquele momento em que se olha para trás e se pergunta: perdi esse tempo? Poderia ter feito mais ou melhor? Poderia ter escolhido o amor ou a solteirice? Será que tudo seria diferente se naquele momento tivesse feito outra escolha?

A vida, caro amigo, não é linear a esse ponto. Cada escolha é uma renúncia que demanda novas escolhas, novas renuncias e novas histórias que nem sempre teriam um final diferente. É mais fácil olhar para frente e corrigir a rota do que lamentar os erros do passado que não volta jamais, afinal o passado, como a própria palavra diz, é passado que se perde ao longo dos quatro anos. O tempo urge. E a urna pune.

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