Silvia Altafim: em defesa dos direitos dos homossexuais

Uma mulher lutadora. Com esta frase podemos definir Silvia Altafim, uma jovem assistente social que trabalha em prol de uma melhor qualidade de vida e dos direitos da comunidade LGBT de Ribeirão Pires, Mauá e Rio Grande da Serra.

Silvia é assistente social e militante me prol da causa LGBT

Formada em Serviço Social, desde sempre teve postura militante: “Na faculdade, fiz parte do movimento estudantil”, expôs, ressaltando que foi aí que se aproximou dos movimentos sociais. “Quando estagiei na Promoção Social, conheci o Raphael (Rago, atual coordenador de diversidade sexual de Ribeirão Pires) e fazia parte do GAD (Grupo de Apoio a Diversidade). Ele me convidou para ir a uma reunião do grupo. Fui a primeira heterossexual a entrar no grupo e fui bem acolhida, o que me estimulou a me engajar ainda mais e aí comecei a freqüentar as reuniões. Nunca tive que justificar o que sou, até porque respeito todas as formas de amor”, explicou, antes de ressaltar: “No trabalho, como assistente social, atendo a todo tipo de demanda. LGBT faço por militância”.

O começo, entretanto, não foi dos mais simples, já que houve alguma desconfiança quanto a sua presença. Para isso, precisou usar de jogo de cintura para mostrar que estava ali em prol dos direitos humanos: “Houve uma pequena barreira, que quebrei com minha postura”, afirmou, ressaltando que desde o início adotou uma posição diferente: “nunca me apresentei como profissional, mas sim como militante”.

Paralelo ao seu início na militância, ainda existia a questão da faculdade. Era estagiária, com todas as dificuldades que essa posição impõe, como se dividir entre trabalho e estudos. “Foi uma fase muito difícil. Mas peguei paixão pela área, era o que eu queria”, afirmou, mostrando que todo o esforço, de fato, valeu a pena. O resultado foi um elogiado trabalho de conclusão que abordou justamente as ações sociais voltadas ao público LGBT.

Seu foco, hoje, está justamente nas políticas públicas. O GAD, junto com o Núcleo de Acolhimento e Conscientização da Diversidade (NACD) tem feito parcerias com o poder público para facilitar o acesso da comunidade LGBT a áreas diversas como emprego e saúde além, é claro, da promoção da cidadania. Silvia cita como exemplo os trabalhos recentes feitos com professores e guardas civis justamente para que a barreira do preconceito seja quebrada.

Além disso, o grupo promove reuniões e encontros que também envolvem os familiares dos homossexuais, outra barreira que começa a ser quebrada: “Ribeirão Pires tem uma população muito conservadora”, explica Silvia, antes de ressaltar que é justamente aí que ainda reside o maior problema: “apenas 3% das famílias mostram plena aceitação do fato”.

Ela analisa que, apenas dos grandes avanços, ainda há muito a ser feito. Para o futuro, espera um momento diferente: “Torço para que um dia textos como o meu, que falam de homossexualidade junto a atos de preconceito e discriminação, percam seu sentido, pois ela estará dissolvida no corpo social e teremos apenas muitos jovens gays olhando para essas páginas assustados dando graças a Deus por não terem vivido este tempo. Até lá, como pretensa defensora dos direitos humanos e cidadã de um Estado Democrático de Direito que precisa cada vez mais afirmar-se como tal, entendo que é minha tarefa abordar questões como estas que ainda causam desconforto e transtornos a inúmeras pessoas que são vítimas da homofobia”.

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