Sem organização, não tem solução

Nos últimos dias, protestos têm levado milhões de pessoas às ruas em um movimento que começou contra o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus em São Paulo e ganhou o Brasil.

Iniciado pelo Movimento Passe Livre (MPL), a ação fez com que a população se voltasse não só contra o aumento, mas também contra diversos focos de insatisfação como a baixa qualidade dos serviços públicos, em especial Saúde e Educação, além da luta contra a corrupção.

Paralelo aos atos, também se notou, com o passar dos dias, um distanciamento dos manifestantes em relação aos movimentos sociais – que há muito têm tais pleitos – e também dos partidos políticos que chegaram a ter suas bandeiras queimadas, sob argumentação de que seria um “movimento do povo”. Por mais que isso evidencie um descontentamento com a classe política, é preocupante, para dizer o mínimo, ver que a população não se sente mais representada por quem ela mesma elegeu.

Outra preocupação também reside no fato de que o ímpeto inicial deu lugar a falta de organização, evidenciada pela negativa em aceitar um comando de protesto vista em diversos e de pautas claras. Um exemplo disso aconteceu em Ribeirão Pires na última sexta. O ato convocado pelo Facebook chegou a reunir cerca de 3.000 pessoas nas ruas, mas, por mais que os organizadores tenham levado pautas até então consideradas de todos ao prefeito Saulo Benevides, boa parte dos manifestantes não se sentiu representada pela comissão que adentrou o gabinete. Prova disso é que, mesmo após ter sida apresentada a ata de reuniões (que foi rasgada pelos manifestantes), diversos grupos cobravam ser representados frente ao Chefe de Governo da cidade, com objetivo de levar suas próprias pautas.

Para muitos, faltou organização, uma liderança que se fizesse presente e fosse endossada por todos os que participaram do ato. Ainda que isso se justifique pela juventude dos organizadores, a cidade acabou pagando por isso, com uma série de lojas depredadas ao final do ato, pouco depois de uma tentativa de invasão ao Paço que só não foi bem-sucedida porque a Guarda Municipal e a Polícia Militar agiram com prontidão.

É evidente que é muito difícil para qualquer liderança controlar as ações de todos em uma grande manifestação. Entretanto, uma discussão prévia, que leve pautas que contem com o endosso da maioria, pode evitar transtornos desta natureza, afastando os vândalos e levando à manifestação quem realmente deseja mudanças no país – o mau exemplo de Mauá, que teve saques e destruição em massa está aí para quem quiser ver.

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