Ribeirão Pires não é um condomínio

Às vésperas de completar 300 anos de fundação, Ribeirão Pires ainda vive um dilema: qual a sua verdadeira identidade? Em especial nos últimos 59 anos, a cidade tem sistematicamente discutido sua vocação, o melhor caminho para alcançar o tão sonhado caminho do desenvolvimento.

De duas décadas para cá, o foco esteve no turismo. Anteriormente, na indústria. Agora, discute-se um modelo híbrido entre turismo, indústria e serviços, uma vez que temos limitações legais que restringem diversas intervenções no município. A ideia, sempre a mesma, é que mais empresas estejam presentes, deixando seus impostos e assim reforçando os combalidos cofres municipais.

Para isso, no ano passado, a Prefeitura resolveu entrar na chamada “guerra fiscal”, oferecendo uma série de incentivos e até mesmo atuando ativamente, fazendo visitas e mostrando os atrativos da cidade, como proximidade com São Paulo, com o Porto de Santos e também com uma alça (a ser aberta sem prazo ainda) do Rodoanel.

No papel, é tudo muito bom. Mas e na prática? Hoje ainda somos cidade-dormitório, em que mais de 60% da população não vive o dia a dia. Obviamente, isso traz prejuízos para o comércio local e até para a arrecadação de impostos, já que essas pessoas também tendem a gastar a maior parte de seus vencimentos fora, dando lucros para outras prefeituras. Além do mais, espanta outros tipos de investimento que são baseados na população circulante, como lojas de grandes cadeias fast food que apenas recentemente desembarcaram na cidade. Ou seja: o prejuízo real é muito maior do que o estimado.

Reverter essa condição é uma demanda absolutamente necessária e imediata. E, como isso demanda tempo, deve ser iniciado um planejamento de longo prazo o mais rápido possível, afinal estamos falando de um processo que deve durar algumas décadas para ser concluído e demandará também uma mudança de cultura no próprio ribeirãopirense que, não raro, prefere gastar seu dinheiro fora da cidade em demandas que, não raro, são oferecidas por aqui até mesmo com preços e condições iguais ou melhores.

Seja no turismo, na indústria ou em serviços, há a necessidade de fazer com que as pessoas da cidade tenham ao menos a opção de atuar profissionalmente por aqui. O que não podemos é deixar que nossa economia seja baseada principalmente no IPTU e no ITBI, fazendo de uma cidade com 300 anos de história uma espécie de Alphaville do ABC.

Compartilhe