Ribeirão Pires não é São Paulo

As cidades estão a cerca de 40km entre si, mas a distância que as separa, em termos de importância e de desenvolvimento é bem maior do que essa. Ribeirão Pires não é São Paulo, uma constatação tão óbvia quanto lógica, mas que, aparentemente, não tem sido lá muito respeitada nos últimos tempos.
Em vários aspectos, há diversas tentativas de tentar equiparar as cidades com a “importação” de algumas boas idéias, o que é louvável, mas esquecendo-se de que, para adotá-las por aqui, há diversas peculiaridades a serem respeitadas, seja de ordem tradicional ou prática em relação aos ônus de tais medidas.
Comecemos pela Lei Cidade Limpa. Não queremos discutir se ela é boa ou ruim, uma vez que tudo isso já foi discutido à exaustão, com conclusões divergentes de acordo com conceitos pessoais de cada um e muito menos se a regra deve ou não existir, mas sim a forma de sua aplicação. Será que, para nossa cidade, ela não estaria fora de foco em relação às necessidades da cidade e dos comerciantes? Há muitos deles que reclamam até hoje da falta das placas indicativas, pelas dificuldades em “mostrar a cara” a seus fregueses – especialmente os recém-chegados ou os eventuais turistas que estejam de passagem.
Outra questão é em relação ao trânsito, que se complica a cada dia, dado o aumento do número de veículos na cidade especialmente na região central. Nosso viário se mostra carente especialmente em relação aos congestionamentos. Uma solução encontrada nos Jardins, nobre bairro paulistano, que foi diminuir o número de vagas de estacionamento em prol da Zona Azul aqui devidamente “clonada”, já não tem se mostrado efetiva como quem tentar parar o carro na cidade poderá constatar. Fato é que o município carece de forma urgente de um engenheiro de tráfego qualificado – algo que deve ser analisado com carinho, dada a necessidade legal recente de um Plano de Mobilidade Urbana.
São apenas dois exemplos para mostrar que, para termos uma cidade mais humana e com medidas que realmente funcionem, é preciso maior participação da comunidade que, com diálogo aberto, poderá expor todas as dificuldades em relação ao impacto de medidas municipais e respeito às características municipais, aumentando assim o respeito às regras sem a necessidade de autoritarismo, já que todas elas estarão adaptadas à realidade ribeirãopirense. Certamente algo que, em uma cidade com pouco mais de 100.000 habitantes é bem mais simples do que em outra com 12 milhões.

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