Ribeirão Pires entra na UTI. E vai para a UPA de Rio Grande

É brincadeira. Essa expressão é usada quando algo não parece sério, ou não é feito com a devida correção que merece. Na última sexta-feira, a nossa reportagem esteve na UPA Santa Luzia e constatou uma situação caótica. Faltavam médicos, não havia perspectiva de tê-los e os funcionários sem ter como exercer suas funções.

Se, durante muitos anos, a provocação favorita de Saulo Benevides (PMDB) a Gabriel Maranhão (PSDB) era o fato de que as emergências de Rio Grande da Serra eram atendidas em Ribeirão Pires, a roda girou e agora, ironia do destino, onde os pacientes que chegam a UPA estão sendo orientados a buscar atendimento? Na recém-inaugurada UPA de Rio Grande da Serra.

Se antes das eleições, se batia no peito com orgulho por manter contas, salários pagos e negativas de débito em dia, agora a dura realidade são cortes, demissões e a “raspagem do cofre” para encontrar recursos para pagar contas e salários. Não seria nenhum exagero dizer, por exemplo, que Ribeirão Pires está vendendo o café para pagar o almoço e o dois para pagar o jantar.

Tudo isso é reflexo de decisões desastradas, prioridades equivocadas e um planejamento pífio, para não dizer inexistente. Ora, desde janeiro sabe-se que o 13º salário será pago no final do ano. Desde o primeiro dia de cada mês sabe-se que os salários terão que ser quitados. Desde sempre se soube que uma unidade de saúde precisa de profissionais, medicamentos e insumos. Por que então não houve esse planejamento? Por que então não se considerou na conta apenas os recursos líquidos e certos ao invés de se contabilizar o que poderia vir de fora?

Em meio a esses porquês sem resposta, a população como um todo sofre. Mesmo o leitor que porventura esteja dentre os 42% de paulistas que têm um plano de saúde particular, deve se lembrar que, nas piores horas, o atendimento é pelo SUS. Uma remoção de emergência, o primeiro socorro após um acidente automobilístico ou até mesmo as vacinas para as crianças são ministradas pelo sistema público. Desta forma, caso ele não funcione a contento, todos serão prejudicados.

Até como uma forma de tentar preservar sua biografia, o prefeito Saulo Benevides deveria ser honesto com a população e com a cidade, abrindo as contas de sua gestão, quando há a pagar, a receber, débitos que serão cobrados futuramente e verbas que podem chegar. Mostrar os contratos em vigor e a vencer, enfim, mostrar de forma clara qual a situação da cidade e o que a população pode esperar dos próximos anos.

Parafraseando uma capa nossa do ano passado, “virou zona” e para arrumar, vai levar muito tempo.

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