Ribeirão Pires e a Lava Jato

A última coisa que vai acontecer é a liberação de verbas para uma cidade esquecida pelos políticos que hoje correm contra o tempo para salvar a própria pele

Grande parte da população está acompanhando o dia a dia da Operação Lava Jato e sua implacável atuação contra figuras importantes da política nacional. Nessa semana até o presidente Michel Temer foi deixado em calças curtas ao ser gravado pelo dono da JBS orientando a compra do silêncio de Eduardo Cunha. Em resumo, a política nacional enfrenta a maior crise existencial de todos os tempos.

Claro que temos motivos para celebrar os avanços da Lava Jato, pois pela primeira vez a corrupção tem sido combativa com tanto empenho e as figuras até então intocáveis estão indo para a cadeia. Mas existe um lado ruim, e Ribeirão Pires está sendo prejudicada.

Não é de hoje o notório conhecimento de que nossa cidade não “sobrevive” apenas de recursos municipais. Grande parte da receita do município provém de investimentos dos governos Federal e Estadual, além de emendas parlamentares distribuídas, tal qual ração, ao curral eleitoral de deputados. Com os avanços das investigações, o Governo Federal em crise e um alvo bem desenhado nas costas do governador Geraldo Alckmin, toda a negociata por emendas e os grandes investimentos governamentais ficam paralisados, ou seja, o Brasil está parado, o Estado está parado, e com isso o Município também está parado.

O prefeito Kiko Teixeira não consegue aplicar o tesouro municipal em obras importantes para a cidade pois não há recurso. O leitor e contribuinte pode afirmar que vem mantendo em dia seu pagamento tributário, eliminando a desculpa do Poder Público de falta de recurso, mas não é bem assim. O tesouro municipal é usado para manter a atual estrutura administrativa. Só a folha de pagamento da Prefeitura ultrapassa R$ 10 milhões mensais de uma arrecadação que não chega a R$ 20 milhões. Tirando os salários, as contribuições previdenciárias, a manutenção da estrutura básica de escolas, da UPA, das UBSs e demais órgãos públicos, a contabilidade do Município fica no vermelho.

Emendas parlamentares geralmente são usadas para asfaltar ruas. Empréstimos ou investimentos federais são usados para obras. Assim, com a política em crise, a última coisa que vai acontecer é a liberação de verbas para uma cidade esquecida pelos políticos que hoje correm contra o tempo para salvar a própria pele do lobo da Lava Jato.

Muita água ainda passará por baixo dessa ponte. Por enquanto investiga-se aqueles envolvidos em corrupção na Petrobrás, porém quando a caixa preta do BNDES for aberta, aí a coisa vai ficar feia. Por hora, cabe a nós a paciência para suportar a falta de investimentos e a criatividade para encontrar soluções para a cidade, porque infelizmente não será possível delegar essa responsabilidade aos nossos representantes eleitos já que nenhum deles hoje tem autonomia para realizar “a mudança” prometida durante a campanha, por mais que alguns tenham a boa vontade de fazer.

 

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