Reciclagem de isopor ainda é pouco comum

O isopor está em toda parte: nos supermercados e padarias com as bandejas de alimentos, nas embalagens de proteção de eletroeletrônicos, na decoração de festas infantis, entre outras situações. Na hora de se livrar dele, o destino é o lixo comum, seguindo para os aterros e lixões de todo o país. O que pouca gente sabe é que esse material pode ser 100% reciclado. Segundo pesquisa feita por uma empresa de embalagem paulista, apenas 7% dos brasileiros sabem que o isopor é totalmente reciclável. E talvez por essa falta de informação, é que a reciclagem do poliestireno expandido (EPS) é difícil. Durante a 7ª edição do Festival do Chocolate, por exemplo, apenas os itens de isopor não passaram na triagem da coleta seletiva, sob justificativa de não serem de fácil comercialização.

Um dos grandes entraves para a reciclagem do EPS são as dificuldades quanto à logística pelo fato de ocupar muito espaço e pesar muito pouco

Para Paulo Michels, coordenador de Sustentabilidade da Termotécnica, maior transformadora de EPS da América Latina, colabora ainda para esse quadro a falta de divulgação acerca dessa reciclagem e a carência de empresas recicladoras instaladas nesse segmento. “Outro grande entrave são as dificuldades quanto à logística pelo fato de ocupar muito espaço e pesar muito pouco”, acrescenta.

O coordenador de Sustentabilidade explica que o processo de reciclagem do isopor é relativamente simples, mas necessariamente passa pelas seguintes etapas: conscientização e envolvimento da indústria, comércio e comunidade. “Começa com a coleta e transporte até as unidades de processamento onde é feita a limpeza, classificação, trituração e compactação. O importante de toda essa operação é que não se usa água no processo de reciclagem”, destaca.

Dependendo da aplicação, o EPS reciclado pode voltar à cadeia produtiva ao ser incorporado na fabricação de novas peças, principalmente para a construção civil. Existem outras aplicações, também nobres, como compostos para fabricação de solados de calçados, decks para piscinas, rodapés e rodatetos. O isopor, quando reciclado, volta a ser poliestireno, que é largamente aplicado nas indústrias de injeção e extrusão de peças plásticas para as mais diferentes utilidades. Ele só não pode ser utilizado para embalar alimentos.

Paulo ressalta a importância em se reciclar o EPS. “Quanto maior o volume reciclado, menor será a quantidade destinada aos aterros. Uma coleta seletiva bem estruturada nos municípios poderá auxiliar muito para que essa prática seja revertida. Também é muito importante porque o isopor é proveniente da extração do petróleo, então, quanto maior a quantidade reciclada, menor a necessidade de extração”.

Sendo derivado do petróleo, o isopor é classificado como plástico, portanto, deve ir para o coletor vermelho, que é a cor destinada aos recicláveis plásticos.

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