Racial ou social?

Por Gazeta

Há momentos em que me incomodo com certas posições da parte da imprensa que parece defender a população negra do País e da região e escorrega discorrendo apenas sobre um tema pinçado de ocasião que rende inúmeras manchetes sensacionalistas. Ontem mesmo, um jornal regional a soldo dos sindicatos, veio a público com mais uma dessas manchetes, dizendo que “os negros são as maiores vítimas da violência no ABC”. Ora, todos sabemos da divida que o Estado Brasileiro tem com a população negra, arrancada à força de suas terras na África e trazidos como escravos para alavancar a economia do País, a exemplo dos americanos do norte e outros que usavam da mesma prática. Com a abolição, esses nossos irmãos “libertos” se viram, de um dia para outro, ao leu e praticamente sem recursos para sobreviver. Hoje, cidadãos iguais com os mesmos diretos e deveres, batalham como os demais brasileiros em busca de uma vida melhor.

Quando leio ou ouço que “a população negra ganha menos que o branco quando desempenha a mesma função”, sempre coloco em dúvida tal afirmação e, dizer que o cidadão negro é discriminado na hora de hora de conseguir emprego é, em minha singela opinião, outra balela, embora acredite que possa haver exceções. O que o empregador quer do empregado, seja ele azul, amarelo, ou roxo é que o desempenhe com qualidade e isso tenho autoridade para afirmar por experiência própria de décadas como empregador.

A desigualdade no Brasil não é racial, mas sim social e advinda do descompasso criado na época da abolição, quando os negros ficaram numa posição social muito inferior, dívida que nossos antepassados nos legaram – condição esta que vem se revertendo através de mecanismos que visam promover a igualdade. Cabe a nós, com políticas publicas apropriadas, reduzir esses desequilíbrio social e acabar de vez com essa esta estapafúrdia história de que a sociedade brasileira trata desigualmente seus cidadãos apenas em razão da cor da pele. É muito mais do que isso.

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