Que tal ressuscitar a vida noturna de Ribeirão Pires?

Mesmo sendo uma cidade turística, não é segredo para ninguém que Ribeirão Pires carece de atrativos. Hoje, até mesmo o mais antigo e apaixonado habitante não saberia dizer o que a cidade tem a oferecer para algum visitante que aqui desembarque, seja o Parque Pérola da Serra, hoje sede de secretaria e da Guarda Municipal, seja o abandonado Camping.

Podemos citar a Vila do Doce como única atração estruturada, mas esta é restrita a parte gastronômica e carece de vagas de estacionamento. Desta feita, fora a comida, o que mais a cidade tem a oferecer hoje em dia?

Em outros tempos, ainda havia a vida noturna. Ribeirão Pires rivalizou com Santo André pelo título de melhor noite do ABC. Uma série de bares e casas noturnas faziam com que muitas pessoas viessem de fora em busca de diversão, o tal “turismo de um dia” tão preconizado há alguns anos, que atraía divisas e renda para a cidade. Entretanto, algo saiu do controle e foi necessária a criação de uma legislação rígida para coibir abusos que acabou inviabilizando qualquer tipo de investimento no setor. Mesmo as famosas festas em chácaras praticamente se acabaram, restando apenas algumas – ilegais, diga-se de passagem – que são turbinadas pela facilidade de divulgação via Internet.

Desta maneira, todo o turismo da cidade ficou restrito ao Festival do Chocolate. Mesmo assim, de uns tempos para cá, a festa que se tornou uma das maiores do Estado, se apequenou. Se tivemos uma edições com público recorde – há quem fale em mais de 60 mil pessoas apenas para o show de Cláudia Leitte – e outra cobrada e autossustentável, as seguintes se mostraram menores, em uma mudança de foco do festival, que afugentou o grande público (e os turistas) em prol de um espetáculo mais local. Um modelo aprovado por muitos, mas que desvirtuou o propósito inicial, que era atrair pessoas (e dinheiro) de fora para Ribeirão Pires.

Voltando a questão da vida noturna, talvez tenha chegado a hora de se rediscutir a legislação de forma franca com a participação de toda a sociedade. A rigidez das regras, que afugentaram os investimentos em entretenimento, deve ser revista em prol de mais empregos, renda e até mesmo segurança, já que as noites (e até mesmo tardes de fins de semana) provam que deixar a região central da cidade às moscas é um perfeito convite para marginais e desocupados tomarem o lugar de quem é de direito: os cidadãos e famílias ribeirãopirenses.

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