Que tal R$ 6 mil por mês de bolsa-família?

Um dos projetos mais elogiados do Governo Federal, o Bolsa-Família, complemento de renda dado a famílias em situação de vulnerabilidade social, está completando dez anos.

Criado a partir da junção do Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Auxílio Gás (criados ainda no Governo Fernando Henrique Cardoso) e também do Programa Nacional de Auxílio à Alimentação (PNAA), o programa vem sendo alvo de elogios ao redor do planeta, em especial por permitir à essas pessoas que façam parte da sociedade de consumo, colaborando assim para o aumento do PIB nacional. Segundo dados do livro “Programa Bolsa Família: uma década de inclusão e cidadania”, cada R$ 1 transferido pelo programa representa R$ 2,40 de aumento no consumo das famílias, algo que seria muito mais complicado de outra maneira.

A prova de que a ação deu certo, a despeito de inúmeras críticas em especial de setores mais abastados da sociedade, são os reconhecimentos internacionais, o mais recente vindo da Suíça, um dos países mais ricos e com melhor qualidade de vida do planeta. E de lá, aliás, que vem a grande novidade em relação ao programa que, depois de ser copiado em locais como a Índia e o estado do Alasca (EUA), também terá sua versão local.

Uma petição idealizada por um cidadão de nome Christian Muller e que já foi assinada por mais de 100 mil pessoas, pede para que o governo suíço implante o programa no país. A ideia é que todos os cidadãos do país, independente de estar ou não empregados, recebam uma ajuda de 2.500 francos suíços por mês, o equivalente a cerca de R$ 6 mil de ajuda governamental, em uma espécie de Welfare State (estado do bem-estar social) pós-moderno.

De acordo com o autor, em entrevista à rede norte-americana CNBC, “isso não tem nada a ver com riqueza ou pagamentos. Não tem nada a ver com pobreza. O motivo é dar mais liberdade para todos no Século 21”. Ele vai além ao dizer que se trata de dar “liberdade para decidir o que fazer da vida”, uma vez que “sabendo desde criança que se tem segurança (financeira) para toda a vida, você tem oportunidade de escolher onde trabalhar”.

Por mais estranho que possa parecer, esse pleito vem de um dos países mais ricos do mundo, onde a taxa de desemprego mal bate os 3% da população economicamente ativa. A questão é que a classe média do país tem registrado uma melhora tímida nos seus vencimentos, ao contrário das classes superiores e, em especial as inferiores, cujos salários nunca estiveram tão altos. Lembrando que a Suíça não está imune à Crise Mundial, hoje esta faixa social capitaneia um movimento por mais “justiça econômica” pleiteando formas de controle dos vencimentos. Um exemplo é um referendo pedindo para que os salários de alta chefia sejam no máximo 12 vezes maiores do que os menores pagos por uma empresa, após um executivo da Novartis recusar 72 milhões de francos suíços de indenização sob a condição de que não trabalhasse para uma concorrente, o que gerou protestos pelo país – e o obrigou a abrir mão do montante.

E não para por aí. Há uma petição conjunta circulando nos 28 países que formam a União Europeia pedindo uma bolsa-família continental – para desespero dos detratores do sistema popularizado pelo governo brasileiro.

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