Quando a incompetência se junta a ineficiência

De um lado, um político que foi “ficha suja” pela maior parte de sua vida pública. De outro, uma gestão desastrada que deixará um rombo recorde. Saulo Benevides e Dedé da Folha, um “casamento perfeito” para a incompetência administrativa.

Para o leitor que não conhece a história, vale lembrar. Dedé da Folha, candidato a prefeito pelo PPS entrou na disputa na última hora por estar inelegível uma vez que, para resumir a história, quando presidente da Câmara Municipal, autorizou o pagamento de despesas pessoais de alguns vereadores com dinheiro público – um caso clássico de improbidade administrativa (eufemismo para corrupção). Como resultado, teve as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas que, por conta do trânsito em julgado ocorrido em 2013, o tornou inelegível até 2021. Após devolver o dinheiro que teve “destino desviado”, conseguiu uma espécie de “progressão de regime”, uma comparação válida já que cumpriu pouco mais de um terço da pena de oito anos de inelegibilidade. Contrariando o discurso de Dedé, não há “injustiça” nesse caso. Até porque, se houve, certamente ele já teria processado o Estado pelos prejuízos, algo que ele não fez – e nem vai fazer.

Saulo, por sua vez, deixa um verdadeiro “pepino” para seu sucessor: um rombo recorde nas contas municipais, fruto de uma gestão financeira deficiente. Em que se pese a crise econômica nacional – que atingiu a prefeituras e empresas de todo o país – em Ribeirão Pires, a situação está beirando o dramático. Segundo o portal Compara Brasil, mantido pela Frente Nacional de Prefeitos a situação financeira da cidade está beirando o insustentável.

Analisando dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ribeirão Pires decaiu de um superávit de R$ 3 milhões em 2013, primeiro ano da atual gestão, para um déficit recorde de R$ 48,5 milhões em 2015, passando por outro déficit, de R$ 16,5 milhões em 2014. Ou seja: é como se a prefeitura tivesse afundado em R$ 65 milhões no “cheque especial”, mesmo com crescimento de aproximadamente R$ 8 milhões nas receitas.

Em uma empresa, a situação seria de falência, com venda de ativos para sanar dívidas. Para uma pessoa física, o resultado seria uma impagável dívida registrada no Serasa. Isso talvez explique o desespero em negociar terrenos para levantar dinheiro e tentar cobrir o rombo financeiro acabando com o patrimônio municipal, quando o ideal seria uma concessão onerosa por tempo determinado (aluguel).

Também há problemas na gestão do Imprerp (Instituto Municipal de Previdência) que chegou a executar a prefeitura judicialmente e com o INSS. Pior: usando progressão geométrica e mantendo a proporcionalidade (crescimento de três vezes de 2014 para 2015), podemos chegar a um rombo de R$ 120 milhões esse ano, ou seja: cerca de 38% da arrecadação. Uma situação que certamente poderá deixar sequelas na cidade.

Isso posto, estamos falando de uma união inusitada, do incompetente com o ineficiente, mostrando que aqueles que não têm responsabilidade com o dinheiro público, os piores postulantes à prefeitura, estão lado a lado. Mais ainda: deixa claro que a proposta é colocar administradores comprovadamente ruins a frente da cidade. E isso, certamente, nenhum cidadão de Ribeirão Pires quer.

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