Prós e contras da Liberdade de Imprensa

Agentes do Estado são suspeitos de serem autores em 77% dos casos de atentados contra jornalistas

Há muito tempo o jornalismo deixou de ser um trabalho valorizado e reconhecido como exímio defensor dos interesses sociais. Isso acontece porque os jornalistas estão se distanciando cada vez mais das raízes que fundamentaram a profissão nos idos do século 17, quando se escrevia com total responsabilidade.

São 10 os pontos que deveriam ser defendidos acima de tudo por veículos de imprensa: 1- verificação com uma apuração cuidadosa das informações; 2- objetividade ao reportar fatos sem discriminar ou favorecer lados; 3- originalidade com produções intelectuais próprias e sem plágios; 4- integridade em contextualizar toda a história, de ambos os lados; 5- transparência no processo de obter e relatar informações; 6- justiça ao informar, mas sem fazer julgamentos pessoais na matéria; 7- limitação ao determinar se o material jornalístico prejudicará pessoas inocentes e a qual preço; 8- humanidade em tratar de assuntos relevantes, sem sensacionalismo; 9- responsabilidade total por tudo o que se produz em nome do jornalismo; 10- empoderamento dos menos favorecidos, dando voz aqueles que a sociedade ignora.

O jornalismo fundamentado na lista acima não existe mais. Por conta disso, comunicadores do mundo inteiro vem sofrendo sérios danos, inclusive à vida. Segundo o mais recente relatório do Artigo 19, uma organização não-governamental de direitos humanos que acompanha de perto as pressões contra a Liberdade de Imprensa, apenas em 2016 ocorreram 31 violações graves contra jornalistas, sendo quatro homicídios, cinco tentativas de assassinatos e 22 ameaças de morte.

O relatório mostra que os agentes do Estado são suspeitos de serem autores em 77% dos casos de atentados contra jornalistas. Dos ataques ocorridos ano passado 19 tem políticos como suspeitos de represálias, e três envolvem agentes públicos. A polícia está envolvida em apenas dois casos.

Isso mostra que a classe política brasileira, manchada por denúncias de todos os tipos, tem se voltado contra a imprensa na tentativa de vingança, já que dificilmente conseguiria silenciar toda uma categoria de profissionais.

Por outro lado, nosso jornalismo parece estar saindo dos trilhos, ultrapassando os limites que o próprio exercício ético da profissão nos impõe. Nesta semana, um editorial de um semanário local atacou diretamente o secretario de segurança pública de Ribeirão Pires, que foi taxado de bêbado, perseguidor, chantagista e corrupto pelo editor do jornal.

Esse comportamento agressivo do veículo de imprensa acende algumas luzes de emergência: o jornalista corre risco? Ele se excedeu? É ético da parte dele usar tantos adjetivos contra uma “autoridade”?

Por outro lado, foi revelado um lado obscuro do poder? A sociedade ribeirãopirense foi informada?

São questões como essa que precisam ser debatidas dentro das redações, por jornalistas e pela sociedade em geral.

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