Povo nervoso: serviços públicos caros e ruins

Por Josenito Barros Meira

Vendo uma mensagem veiculada no Facebook, opinando sobre as manifestações que ocorrem por aí, deparei-me com esta: “esse movimento de protestos contra tudo veio para ficar. E não vejo lideranças políticas tradicionais à frente disso. Há pessoas de todas as idades, de todos os partidos, de todos os cantos do Brasil. Falta organizar as reivindicações, apresentar as exigências que vão além dos custos do transporte urbano. Queremos ter uma vida digna, com saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, limpeza e beleza… Queremos PAZ e AMOR também! Quem serão os(as) lideres para negociar com as autoridades em nosso nome?”.

Aí respondi: “Mesmo que não haja uma liderança capaz, o aviso está dado: os governantes têm que governar para nós e não contra. Eles não costumam pensar duas vezes antes de aumentar a bel prazer os tributos, na ânsia de apenas arrecadar, sem devolver os benefícios correspondentes. Antes, preocupam-se apenas em criar vales disso e bolsas daquilo, apenas para não deixar transparecer o excesso de descaso com o bem estar da população. Falta de dinheiro não é, haja vista o excesso de impostos, como também a maior tarifa de transporte público do mundo, conforme publicado pela Folha, calculada percentualmente pela média salarial dos trabalhadores”. Como se vê, o povo não quer mais vales e bolsas. O povo quer o comprometimento das lideranças políticas em beneficio de uma cidade sustentável, o respeito do direito de ir e vir com tarifas honestas e impostos justos, sem que lhe seja negada a saúde, a segurança e a educação, serviços públicos garantidos na Constituição, que ainda garante a respectiva prestação com qualidade e eficiência.

Os manifestantes são gente cansada de sofrer quando aciona o poder público em busca de tratamento médico; quando tentar entrar no metrô e não consegue porque há excesso de passageiros e falta de trens; quando é assaltado e se dirige à delegacia para fazer o boletim de ocorrência e leva um “chá de cadeira”; quando sua casa é invadida e não consegue que a polícia técnica vá colher as provas para esclarecer o crime. Por essas e outras é que o povo não perdeu a oportunidade de dizer: agora chega! E assim, diante de um convite veiculado no Facebook, deu no que deu. E diante da resistência ao atendimento das reivindicações, a manifestação prosseguiu e o prejuízo foi muito maior do que os R$ 0,20 exigidos na redução da tarifa de ônibus. Por que não atender ao povo? Ele povo tem razão!

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