A política amadora é a causa de todos os males

A falta de liquidez é sinal de despreparo dos gestores que empregam recurso público para fazer política, não para fazer gestão pública.

Desconfie sempre que um candidato apresentar em seu registro de candidatura a profissão “político profissional”. Em praticamente todos os casos, de profissional o político pouco terá e isso resultará em sérios problemas para a população.

A falta de conhecimento de mundo, de políticas públicas e sociais, de economia e de conceitos geográficos resultam em anomalias administrativas que nem o melhor dos corações poderia reverter em se tratando de administração pública.

Para melhor ilustrar esse pensamento, tomemos alguns dados do Índice FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), que apontam uma acentuada piora na gestão fiscal das prefeituras nos últimos 10 anos (2006-2016). Há 11 anos, ao avaliar as contas públicas das cidades, a FIRJAN classificou Ribeirão Pires como uma das 100 melhores gestões do país (posição 69). Após 10 anos, caímos para a posição 2.461, uma queda vertiginosa e vergonhosa.

Quando falamos de gestão, referimo-nos prioritariamente aos políticos responsáveis por conduzir as cidades. Ribeirão Pires nunca teve um verdadeiro gestor público, com formação e preparo para conduzir a cidade devidamente. Nos últimos 30 anos, por exemplo, tivemos três professores (Luiz Carlos Grecco, Maria Inês e Clóvis Volpi), um vereador (Saulo Benevides) e agora temos um advogado (Kiko Teixeira). O prefeito atual, inclusive, apesar de ter uma carteira da OAB ativa emitida em 1995, desde sua formação nunca defendeu nenhuma causa e sempre atuou justamente como “político profissional”, sendo vereador e prefeito em Rio Grande da Serra.

Toda essa incapacidade de realizar uma gestão fiscal eficiente vem causando uma erosão nas contas públicas, o que por sua vez resulta na impossibilidade de investimento. Em 2006, o país viva um ótimo clima econômico, e Ribeirão Pires surfou na onda dessa fase assim como outros municípios. Na época, a cidade podia empregar recursos públicos para melhoria do município sem atrapalhar as contas públicas. Hoje, basicamente todo o orçamento municipal é destinado a manter os programas em andamento e arcar com as despesas da Folha de Pagamento. Gastos elevados com pessoal travam o potencial de investimento. Não se pode empregar um mísero real em novos investimentos na cidade, o que paralisa o município no tempo.

Nossos “políticos profissionais” estão levando as gestões públicas para um caminho muito ingrato. Prefeituras de todo país, incluindo Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, são conhecidas como más pagadoras, caloteiras, com alto índice de inadimplência e dívidas com fornecedores. A falta de liquidez é sinal de despreparo dos gestores onde, “profissionais”, sabem como empregar recurso público para fazer política, não para fazer gestão pública.

Nesse exato momento esperamos que o prefeito Kiko tenha a mão mais assertiva no comando da Máquina Pública. Se nos basearmos no que vimos de janeiro até agora, o futuro é desanimador, mas temos uma certa esperança de que os “novos tempos” deem as caras por aqui o quanto antes.

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