Pode confiar na imprensa

Uma pesquisa global de confiança realizada pelo Edelman, empresa estadunidense de relações públicas, que entrevistou mais de 31 mil pessoas ao redor do mundo sendo mil delas no Brasil, mostrou um dado interessante: que a imprensa e os meios de comunicação em geral são as instituições consideradas mais confiáveis pela sociedade brasileira.

No chamado “Estudo de Confiança Edelman”, que é realizado desde 2001 com cidadãos de diversas classes sociais e idades, 66% dos brasileiros colocaram a imprensa neste patamar, superando as empresas privadas, antigas líderes do estudo agora em segundo lugar em 2%. Isso também representa o dobro do índice alcançado pelo governo (seja federal, estadual ou municipal), que está na lanterna da pesquisa. Mais do que isso, apenas 38% dos entrevistados veem a imprensa como corrupta, índice menor do que a Espanha, onde 41% das pessoas têm esse pensamento e muitíssimo menor do que no Reino Unido (69%) e nos Estados Unidos (58%).

Isso mostra que a imprensa tem papel fundamental na sociedade brasileira, que reconhece este fato. Nos últimos dez anos, coube a ela diversos papeis que anteriormente cabiam aos movimentos sociais, sindicatos e a oposição política que se retraíram. Os “mensalões” do DEM, do PSDB e do PT, os mais diversos esquemas de corrupção e também muitas mazelas sociais, como a baixa qualidade do atendimento de saúde da população não teriam vindo a público se não fossem as revistas e jornais. Mesmo a recente “Revolta do Vinagre” não teria acontecido não fossem as matérias veiculadas nos grandes meios de comunicação. Verdade seja dita, a imprensa foi a oposição ao governo, ganhando pontos na simpatia da população.

Esta é uma conquista notável, ainda mais se lembrarmos de que há pouco mais de três décadas, os meios de comunicação viviam à sombra do AI-5 e da repressão dos órgãos governamentais que controlavam cada linha das informações que iam ao ar ou ganhavam as ruas, criando “monstros” como o registro obrigatório de jornalistas cuja grande função não era regulamentar a profissão, mas sim saber onde encontrar algum repórter que porventura escrevesse algo que desagradasse ao regime.

Em uma profissão que dá mais satisfação do que reconhecimento é notável e gratificante saber que contamos com a confiança do principal objeto do nosso trabalho, que é você caro leitor. O combustível que nos alimenta é saber que você está ao nosso lado e que pode, sem sombra de dúvida, confiar na imprensa. Muito obrigado!

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