Pais do esporte?

No último domingo, o Brasil encerrou sua participação nos Jogos Para-Panamericanos ocupando o primeiro lugar no quadro de medalhas, com a fantástica marca de 81 ouros, 20 a mais que o segundo colocado, os Estados Unidos. Uma marca de superação que deve ser exaltada, mas que deixa uma pergunta: por que nas outras modalidades isso não se repete?

A explicação, apesar de clichê, é simples: falta de apoio. Vivemos em um país onde o esporte é visto como uma espécie de passatempo, algo dispensável. Claro exemplo disso são as aulas de Educação Física nos colégios, dadas em condições precárias e que, com raras exceções, se resumem a aplicação de jogos com bola para passar o tempo, ao invés de uma iniciação verdadeira à prática esportiva, com professores que têm de “se virar” com o pouco que lhes é oferecido. Prova disso são os “atestados” que muitos alunos apresentam para serem dispensados da prática.

A sequencia de erros prossegue nos clubes. O próprio Ribeirão Pires FC, que nos áureos tempos do futsal era respeitado em todo o país, hoje está sendo corroído por cisâneas internas e é incapaz de promover a prática esportiva até mesmo aos aspirantes a atletas. Resultado: os sócios, que deveriam ser a vida do clube, fogem para academias.

O esporte brasileiro, infelizmente, vive de ações isoladas, seja por parte de algumas empresas, como o Pão de Açúcar, que mantém um centro de formação há anos ou ainda o Jornal Mais Notícias que, há oito anos, promove o Campeão dos Campeões de Bilhar, ações louváveis dentro das limitações de cada companhia, ou de prefeituras, como a de Ribeirão Pires que já há algum tempo promove o desenvolvimento do esporte por meio da SEJEL e tem apoiado diversos atletas.

Ou seja: o esporte do Brasil vive de lampejos, de superação individual, sem planejamento, com resultados à custa de abnegados, como os já citados atletas paraolímpicos, já que a monocultura do futebol ainda é dominante. Pena que até mesmo a Seleção anda mal das pernas…

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