O Turismo precisa de organização

Após anos detendo o título de Estância Turística, Ribeirão Pires hoje chegou ao momento de repensar a respeito das benesses e das responsabilidades, uma vez que é inegável que a cidade carece de atrações e incentivos tanto para mais visitantes visitarem a cidade quanto para oferecer mais lazer aos seus habitantes.

Hoje, o município conta com atos praticamente isolados neste sentido, iniciativas tocadas por alguns poucos empreendedores como a que está acontecendo no bairro de Ouro Fino Paulista com ajuda do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) que consiste em uma tentativa de se organizar um roteiro turístico para a região, aproveitando o potencial das suas inúmeras chácaras para atrair o chamado viajante de final de semana, pessoas que desejam viagens breves para destinos agradáveis.

Estas louváveis iniciativas param na falta de um órgão capaz de organizar e planejar os investimentos no setor, papel esse que, em cidades maiores, cabe à uma estatal voltada para o turismo, como a RioTur, no Rio de Janeiro, e a SPTuris, em São Paulo, comprovadamente bem sucedidas, haja vista o grande número de visitantes que aportam nestas cidades ano a ano. Estes órgãos também exercem a função de controlar e organizar o turismo, algo que não acontece em Ribeirão Pires, que hoje é dependente de projetos da Prefeitura que, não raro, são interrompidos. O melhor exemplo é o Hotel Escola. O prédio, erguido em parte do Parque Municipal Pérola da Serra, aguarda por acabamento (e efetivo funcionamento) há anos.

A existência de uma autarquia desta natureza seria vital para que Ribeirão Pires pudesse enfim capitalizar sobre o setor, podendo ser responsável, inclusive, pelas diversas festas religiosas, uma marca da cidade, e o Festival do Chocolate. Dedicada exclusivamente ao fomento do Turismo, ela assumiria também o papel de fazer planejamento de médio e longo prazo para o setor, trazendo empregos, desenvolvimento e o tão almejado crescimento de forma racional.

A cidade, apelidada de forma muito feliz como “Pérola da Serra”, conta com enorme potencial turístico que é subutilizado, ainda mais se considerarmos que estamos a 50 km de São Paulo e com entrada e saída facilitadas pela proximidade com a Rodovia Padre Anchieta, o Rodoanel e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, o que abre portas para o investimento no Turismo de Negócios, Seminários e feiras de pequeno e médio porte, setores esses mais do que saturados na Capital.

Historicamente as tentativas de se impulsionar o setor turístico – e isso se aplica também a Rio Grande da Serra – foram feitas mais na base do empirismo do que do planejamento e estudo o que, sem surpresa alguma, teve como resultado o fracasso. Estamos à beira da Copa do Mundo, cujo evento mais importante por reunir o maior número de autoridades, profissionais e visitantes, a abertura, será realizada a apenas 29,4 Km e 40 minutos do Centro de Ribeirão Pires, que poderia ser perfeitamente usada como ponto de hospedagem. Ou seja: perdemos este bonde da história. O planejamento é urgente, antes que outros bondes passem e parem em outro lugar.

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