O SUS que temos e o SUS que merecemos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os investimentos em assistência à saúde no Brasil são parcos. Entre as 192 nações avaliadas, ocupamos a 151º posição a despeito de termos o 7º maior PIB (Produto Interno Bruto) do planeta, gastando apenas US$ 317 por pessoa/ano, 20 vezes a me­nos que a campeã Noruega. No financiamento público em saúde, nosso investimento é 40% mais baixo do que a média internacional (US$ 517).

Os problemas históricos do sistema têm relação direta com a carência de recursos, resultando em atendimento sem qualidade: macas nos corredores de enfermarias e pronto-socorros, hospitais e santas casas à beira da falência, dificuldades para o agendamento das mais simples consultas e desvalorização dos profissionais de saúde, que têm vencimentos irrisórios. Em nova tentativa de ajudar a solucionar os entraves da rede pública, foi lançado recentemente o Movimento Saúde e Cidadania em Defesa do SUS, frente ampla de entidades da sociedade civil da maior respeitabilidade.

As bandeiras são a assistência de qualidade à população, mais recursos para a saúde pública, valorização dos profissionais de saúde, apoio a hospitais filantrópicos e reajuste da tabela do SUS – reivindicações justas, necessárias e inadiáveis. Sem elas, haverá o triste fim de um projeto entendido como referência em todo o mundo por universalizar integralmente a saúde.

Felizmente, temos uma boa perspectiva com o ministro da Saúde Alexandre Padilha. Médico infectologista, com olhar cidadão para a saúde, sensível a resolver os gargalos do SUS. Tem lutado por mais verbas, incentivado a Residência Médica e apoiado entidades com o intuito de melhorar a assistência aos brasileiros e resgatar a dignidade dos profissionais do setor.

Esperamos que ele seja forte para suportar aqueles que terão os interesses contrariados, podendo levar a fundo as reformas que a saúde exige. O trabalho é árduo e exigirá muita obstinação. Afinal, existe longa distância entre o SUS que temos e o SUS que merecemos.

Antonio Carlos Lopes

Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

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