O povo quer ter voz ativa

Como resultado das manifestações recentes em Ribeirão Pires, foi realizada ontem uma Audiência Pública na Câmara Municipal contando com a presença de diversos munícipes, além de vereadores e representantes da Prefeitura.

A grande ausência, contudo, foi a da pessoa mais esperada, o prefeito Saulo Benevides, que enviou como representante o secretário de Governo e da Saúde Koiti Takaki. Durante duas horas, as diversas pautas elencadas pelos manifestantes, que envolviam basicamente melhoras no Transporte (como passe livre, fiscalização da Rigras e redução no valor das passagens) e na Saúde (como conclusão do hospital e revitalização do São Lucas). Mesmo com a sensação de que “algo estava faltando”, a discussão foi realizada e o povo foi ouvido.

É óbvio que uma Audiência Pública, ferramenta que sempre existiu mas era pouco utilizada pelos brasileiros, não é a solução de todos os problemas mas é uma forma de fazer com que o povo seja ouvido. É histórico no Brasil que, infelizmente, a aproximação entre políticos e população ocorra somente durante o período eleitoral e, quando concluso, as portas de muitos gabinetes se fechem para aqueles que acreditaram nas promessas de campanha e depositaram seu voto de confiança. Por isso, ver que as autoridades estão se propondo a debater com a sociedade uma pauta de problemas comuns, não deixa de ser um alento para tempos melhores.

Houve excessos, é verdade, mas talvez o grande legado da “Revolta do Vinagre” seja ver que as exceções, os políticos que nunca se furtaram a ouvir as populações, passem a se tornar regras. Tudo o que povo deseja é ser ouvido e que seus eleitos, sejam eles vereadores, deputados, senadores, vereadores, prefeitos, governadores ou o presidente da república, de fato o representem. Do contrário, ficará a sensação de que o fato do povo ter ido às ruas terá sido tão somente um sonho de verão. Ou de outono, se preferirem.

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